Foto: Daniel Derevecki

Produção emprega várias pessoas e abastece alguns restaurantes. Fátima (foto abaixo) diz que aprendeu tudo com os nativos.

Sérgio Alves Fernandes Júnior tem apenas 12 anos e já ajuda no sustento da casa. O menino vende a R$ 10 uma dúzia de ostras que ele mesmo cultiva em Caiobá, no litoral paranaense. Ele conta que o pai está desempregado, vivendo apenas de ?bicos?, e por isso tem que dar uma ?mãozinha?. Outro exemplo de jovem nesse ramo que ajuda a família é Eraldo de Souza Alves, de 16 anos. Ele trabalha na propriedade de Fátima Kirchner. Se fosse há cerca de dez anos, os meninos sofreriam bem mais para cultivar os moluscos, pois não havia as tecnologias que existem hoje. Tecnologias que contam com um apoio muito especial do projeto Cultimar, que nasceu no Grupo Integrado de Aqüicultura e Estudos Ambientais (GIA) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e atualmente tem o trabalho dos profissionais já graduados em diversas áreas da universidade.

O Cultimar tem como principal objetivo o incentivo à geração de renda para as pessoas que trabalham na maricultura (cultivo de ostras e camarão). O projeto atua em diversas frentes, como o apoio ao desenvolvimento de ostras de qualidade, a confecção de artesanato (trabalho que ainda está iniciando) e o incentivo à orientação do turista (os visitantes podem apreciar o cultivo da ostra no manguezal e no mar).

O coordenador do Cultimar Leandro Angelo explica que as pessoas que vão aos restaurantes que utilizam estas ostras podem ter certeza da procedência delas por meio de um certificado emitido pela UFPR. ?Com os certificados, mostramos para os turistas que a região é rica, tem potencial. Para que tudo não fique só no ?achismo?, diz Ângelo.

O Cultimar orienta cerca de 100 famílias no litoral paranaense. Elvisley Ferreira trabalha há quatro anos no cultivo de ostras no Sítio Sambaqui (em Caiobá, próximo à entrada da balsa do ferry boat). Ele diz que o projeto aumentou o trabalho, e também os lucros. ?Com os certificados podemos agregar valor ao produto que vendemos?, comenta.

Fátima Kirchner foi uma das pioneiras no cultivo de ostras na região. Ela chegou no local (bem próximo ao Sitio Sambaqui) em 1986, sem saber nada desse tipo de negócio. Juntamente com o seu marido Hamilton, falecido há um ano, aprendeu todo o beabá do cultivo com a prática. ?Já tínhamos o terreno aqui e chegamos bem na hora em que o caseiro iria vender nossas terras. Mas passamos de extratores de ostras para produtores. Aprendemos tudo com os nativos?, conta ela. Em 1994, a técnica chamada de long line foi implantada e, desde então, aumentou muito a produção. ?No começo mal dava para a subsistência. Hoje dá para viver bem?, afirma. Existem várias técnicas de cultivo de ostras, mas no long line (uma das mais modernas e seguras quanto à higiene) os animais jovens crescem na água e, em seguida, são enviados ao laboratório, onde desovam.