Curitiba deu o primeiro passo para erradicar o analfabetismo. Hoje, a cidade já é a capital com maior índice de alfabetizados do Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 96,7% da população é alfabetizada. Mesmo assim, a Prefeitura em parceria com o Instituto RPC lançou ontem o programa Mutirão das Letras.

A idéia é fazer com que a sociedade organizada busque maneiras de acabar com o analfabetismo na cidade. São exatos 40.422 pessoas (maiores de quinze 15 anos) que não sabem nem ler nem escrever . Desses, 25.977 se concentram em áreas de ocupação, conforme dado do Instituto Bonilha. O projeto deve priorizar essas áreas. Segundo o secretário municipal de Educação, Paulo Afonso Schimidt, a meta é diminuir em no mínimo 50% o número de analfabetos até o final do próximo ano. “Queremos criar a proposta de moralização, destacar exemplos que já existem e incentivar para que aconteçam mais”, disse o secretário, salientando que o principal benefício trazido pela alfabetização é a cidadania plena.

Voluntariado

Pessoas que quiserem ser professores voluntários para ajudar no mutirão podem se cadastrar junto à Prefeitura. Os interessados devem ligar para o 156 ou procurar qualquer uma das 159 escolas municipais da cidade. Após o cadastro, os voluntários passarão por um período de vinte horas de capacitação. Depois disso poderão dar as aulas. O período médio de alfabetização de uma pessoas é de seis meses.

O prefeito Cássio Taniguchi (PFL) salientou a importância da sociedade para erradicação do analfabetismo. “Temos muitos projetos, hoje, em Curitiba, voltados à educação informal, à alfabetização. Mas unindo esforços será possível fazer muito mais. O analfabetismo é uma situação que pode mudar e a mudança está em nossas mãos”, afirmou Taniguchi .

Exemplo

O mineiro Antônio Alves Martins, 67 anos, é um exemplo da alegria proporcionada pelo simples fato de aprender a escrever. Ele sempre trabalhou como porteiro, mas nunca freqüentou uma escola. Desde fevereiro participa das aulas na Escola Promorar Barigüi. “Já estou assinando bem melhor o meu nome. Meu objetivo é aprender a ler e escrever bem”, disse, lembrando que no início tinha vergonha de ir às aulas. “Não queria entrar, mas minha filha me incentivou”, relatou, destacando que sua matéria predileta é a matemática. “É o que a gente mais utiliza”, explicou.