Água é sinônimo de qualidade de vida e desenvolvimento. Porém, tanto a escassez quanto o excesso do produto podem gerar problemas aos países. A Organização das Nações Unidas (ONU) decretou o período entre os anos 2005 e 2015 como a década da água, realizando campanha em todo mundo com o intuito de conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação e combater o desperdício.

No Brasil, Curitiba – assim como Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e Salvador (BA) – foi escolhida para a realização da conferência “Água: Fonte de Vida”, que trata da importância do recurso natural. Na capital paranaense, o evento foi realizado ontem, com a participação do diretor do Centro de Informação da ONU em Bogotá, na Colômbia, Damián Cardona.

“A água pode ser tanto uma oportunidade quanto um problema. Quando em excesso, causa problemas como inundações. Quando escassa, pode até ser motivo de conflitos, como já acontece em alguns locais da África, no Oriente Médio e Paquistão. Com a campanha que será realizada até 2015, queremos conscientizar a população sobre a importância deste recurso natural e necessidade de preservação”, disse Damián.

Segundo o diretor, enquanto a população mundial cresce a cada ano, a quantidade de água existente no planeta continua a mesma. Por isso, pouca coisa pode ser feita para que ela se torne escassa.

Porém, medidas simples, quando adotadas por todos, servem para amenizar bastante os transtornos gerados. “Os problemas globais se resolvem localmente. As pessoas devem se dar conta da preciosidade da água e adotar medidas, dentro dos locais onde vivem, para preservá-la”.

Um erro comum, segundo o representante da ONU, é acreditar que toda água pode se reciclar quando chega ao mar. “Isso é um mito. Há estimativas de que cerca de 80% das águas vão para o mar poluídas, sem tratamento. Nem tudo pode simplesmente ser reciclado apenas pelo fato de chegar ao mar”.

Ainda em relação ao mar, muito se fala, na atualidade, de técnicas de purificação que podem possibilitar a captação de água do mar para consumo humano. De acordo com Damián, as técnicas existem.

Porém, são medidas que, para serem adotadas, exigem bastante espaço físico e dinheiro, tendo instalação e manutenção caras. “Geralmente os países que sofrem com a escassez são os países mais pobres, o que faz com que as técnicas se tornem inviáveis. Além disso, muitos países não têm acesso ao mar”.