Curitiba tem mais uma Reserva Particular do Patrimônio Natural Municipal (RPPN). A área verde fica ao lado do Parque Barigui. Batizada pelos proprietários de Reserva Barigui, é a terceira RPPN da cidade e preservará um bosque de 2.100 metros quadrados de mata nativa. O decreto de criação da Reserva Barigui foi assinado pelo prefeito Beto Richa nesta semana.

“Estamos provando que a preservação ambiental pode caminhar em harmonia com o desenvolvimento das cidades. A sociedade só precisa de estímulo, e o grande diferencial das RPPNs são as vantagens econômicas que oferecem em troca da preservação ambiental”, destaca Richa.

A primeira RPPN de Curitiba foi criada em 2007, e fica na área de preservação do rio Cascatinha, também na bacia do Barigui. Tem 8.500 metros quadrados de floresta com araucária e mata ciliar. Em dezembro do mesmo ano, foi criada a segunda reserva, de 17 mil metros, no bairro Campo Comprido, a menos de 10 quilômetros do Centro. Somadas, as três reservas contam com 27.600 metros quadrados de floresta.

A nova reserva pertence à família de Luiz Cláudio Roedel Correia, que comprou o terreno pouco antes da formação do parque, há cerca de 30 anos. A vegetação da área é típica da Floresta com Araucária, com Canela, Pinheiro- bravo, Xaxim, entre outras espécies. No ambiente é comum a presença de jacus, pica-paus e serelepes.

“Nossa intenção era construir, mas as restrições ambientais impediram a ocupação do terreno. Hoje, estamos construindo uma coisa chamada futuro. Tenho filhas, e me preocupo com o planeta que elas herdarão. Quero que elas tenham água limpa e ar puro, recursos que valerão mais que qualquer mina de diamantes”, diz Juliano Correia, filho de Luiz Cláudio e também proprietário da Reserva Barigui.

Em troca da transformação da área em reserva, proprietário ganhou da Prefeitura o direito à isenção do valor do terreno do bosque no cálculo do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Outra vantagem é a permissão para transferir 100% do potencial construtivo (aquilo que deixará de construir para preservar) para outras áreas da cidade que não tenham restrições ambientais ou negociar o potencial com o mercado da construção civil.

“O mercado do potencial construtivo é muito interessante.Vamos usar esse direito e negociar esse serviço ambiental, sem dúvidas. Isso incentiva os proprietários a preservar”, diz Juliano Correia. A família vai criar outra Reserva Particular do Patrimônio Natural em Morretes, no Litoral do Estado.

Curitiba é a única cidade brasileira com lei municipal de RPPN. A lei foi aprovada pela Câmara de Vereadores em dezembro de 2006. “Curitiba é única cidade no país que oferece vantagem a quem se dispõe a preservar”, diz o secretário municipal do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto. Quando criadas, as reservas passam a pertencer ao Sistema de Unidades de Conservação e são equivalentes a um parque particular.

Levantamento da Secretaria do Meio Ambiente aponta cerca de mil terrenos em Curitiba com potencial para serem transformadas em reservas particulares. São áreas com restrições legais para corte de vegetação ou para construção, e consideradas de grande valor ambiental.