O surto do vírus H1N1 que atingiu as regiões Sul e Sudeste de forma antecipada em 2016, antes das temperaturas caírem, provocou 38 mortes em São Paulo e três em Santa Catarina. Alarmados, os paranaenses fizeram disparar a procura pela vacina contra a gripe em serviços particulares. No Estado, este ano foram confirmados sete casos de H1N1 e três de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que pode ter relação com a gripe, de acordo com a Secretaria do Estado da Saúde (Sesa).

A campanha nacional de vacinação do Ministério da Saúde contra a doença, direcionada a grupos de risco, só começará no dia 30 de abril. Apesar de estar situado entre os dois estados com casos de mortes por gripe, o Paraná não terá antecipação do calendário. Em São Paulo e Santa Catarina, a imunização foi antecipada com lotes de 2015 da vacina. Existe a suspeita de que os casos de gripe tenham chegado mais cedo trazidos por pessoas que viajaram aos Estados Unidos e ao Canadá.

Segundo a Sesa, o Ministério da Saúde disponibilizará aproximadamente 3 milhões de doses da vacina trivalente para o Paraná. De acordo com o coordenador de imunização da Sesa, João Luis Crivellaro, não seria o caso de antecipar o calendário porque o Estado registrou somente três casos graves (os de SRAG), um em Alto Paraná, um em Maringá e um em Cianorte. “Epidemiologicamente falando, não há necessidade. Sem dúvida, o fato de o Paraná estar no meio de São Paulo e Santa Catarina é preocupante, mas é importante intensificar o diagnóstico precoce através do encaminhamento a um serviço de saúde em casos suspeitos”, afirma.

Sobre um possível surto de H1N1 na cadeia pública de Cascavel, com 40 detentos apresentando sintomas, Crivellaro diz que, a princípio, se trata da gripe comum (H3N2). “Eles já foram examinados e os resultados estão para sair. Ao que tudo indica, não é H1N1.”

Vacina paga

Somente na tarde de ontem, a Clínica Paciornik, no Centro de Curitiba, aplicou mais de 150 vacinas. O telefone não parava de tocar, com pessoas perguntando o valor da dose. O estudante Luiz Fernando Fagundes, 25 anos, ficou sabendo do surto de São Paulo e tratou de se imunizar. “Fiquei com receio de me contaminar, é por prevenção, mesmo. Desde 2009, tomo a vacina todos os anos”, diz.

O laboratório Frischmann Aisengart começará a aplicar as vacinas na sexta-feira (1º), mas já registrou mil pessoas interessadas em tomá-la. “A procura está sendo superior ao nosso histórico.

Aqui em Curitiba o interesse sempre foi bastante forte e antecipado, mas neste ano está atípico. Só na última semana 500 pessoas preencheram o formulário em nosso site indicando interesse na vacina”, conta o diretor do laboratório, Thiago Liska. O estoque tem 25 mil doses, número que pode vir a ser ampliado de acordo com a procura.

Diagnóstico precoce

A recomendação é de que se procure um serviço de saúde caso haja febre alta e mal-estar generalizado. “Quem tem gripe jamais esquece, porque fica de três a quatro dias com dores musculares, sem conseguir sair da cama, sem conseguir trabalhar”, descreve a médica infectologista e epidemiologista dos hospitais Vita, Marta Fragoso. O resfriado, que também é viral, causa n,o máximo uma febrícula. Se administrado em até 72 horas após o início dos sintomas, o retroviral Tamiflu, usado no tratamento do H1N1, diminui o tempo de duração dos sintomas e também reduz a transmissão do vírus.

Tipos de gripe

A vacina que será disponibilizada de 30 de abril a 20 de maio pela rede pública de saúde é a trivalente, que protege contra dois tipos de gripe A (H1N1 e H3N2) e um tipo de gripe B. Já a quadrivalente, disponível em clínicas particulares, protege contra H1N1, H3N2 e dois tipos de gripe B. A cepa mais perigosa é a H1N1, coberta tanto pela dose trivalente quanto pela quadrivalente. Ambas vacinas devem ser tomadas anualmente, já que têm validade média de seis a dez meses.