Cada vez mais é reconhecida a importância do contador de histórias para a recuperação de crianças doentes no Hospital Pequeno Príncipe. Tanto que começou ontem um curso para qualificar voluntários para a função. O administrador de empresas Antônio Carlos Moreira, de 53 anos, é dos um dos alunos. Ele nunca contou histórias para alguém que não fosse o seu neto. Interessou-s em levar o mundo do imaginário a mais gente, depois que participou de uma palestra onde as histórias eram usadas para passar mensagens positivas. “Acho o voluntariado necessário. A sociedade está perdida precisa resgatar valores”, afirma.

Heloise Almeida, 28, empresária, também quer dominar a arte. Ela já presta serviços no hospital. “Os contadores só vão à noite”, diz. “Quero que haja alguém pela manhã. Estou aqui também para desenvolver um pouco mais o gosto pela leitura.”As crianças adoram. Muitas são carentes e alguns pais não sabem nem ler.”

O professor do curso, Carlos Daitschmana, conta que história tem a capacidade de fazer com que as pessoas entrem no universo do imaginário e esqueçam dos problemas. “Uma vez uma menina com dor não queria ficar para assistir, estava toda encolhida e triste. Temos uma foto em que ela aparece sorrindo enquanto ouve o contador. É um grande prêmio para mim”, conta. Ele diz ainda que na Índia existe uma parte da medicina que receita histórias para ajudar na cura dos pacientes.

Durante o curso, os voluntários desenvolvem atividades de expressão corporal, leitura em grupo, técnicas de mediação, relato e troca de experiências, debates, além de discutir o papel e a responsabilidade do contador. O curso também é destinado a profissionais de empresas que querem desenvolver a habilidade e aplicar em programas de voluntariado, em creches, asilos e outras instituições.

O objetivo do hospital é capacitar as pessoas para que o tempo com as crianças seja melhor aproveitado, fazendo com que o voluntário, ao olhar para a criança, já tenha em mente qual história ela está precisando. Além disso, muitas pessoas querem ajudar mas não sabem como. No curso aprendem a falar em público e a desenvolver suas capacidades. No hospital trabalham mais de duzentas pessoas levando alegria a pacientes e familiares.