A constante exposição a ruídos acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) pode causar estresse, depressão, pressão alta, insônia e irritabilidade. Em Curitiba são poucos os pontos onde os ruídos não incomodam. Nem os parques escapam da barulheira, causada, principalmente, pelo trânsito. Uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Paraná mostra que em 82% dos pontos estudados dentro do Jardim Botânico, Passeio Público e Parque São Lourenço os decibéis estavam acima de 55, máximo permitido pela lei.

O professor de otorrinolaringologia da UFPR Rogério Hamerschimidt explica que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a exposição humana a até 60 decibéis. Passando disso, por um longo período, o barulho começa a trazer uma série de problemas. Entre 60 e 80 decibéis provoca doenças como a depressão e pressão alta, e indo além de 84, causa surdez.

Em vários pontos da cidade de Curitiba, os decibéis estão acima do permitido, segundo pesquisa coordenada pelo professor do Laboratório de Acústica da UFPR Paulo Zannim, realizada em 2002. Ele dividiu a cidade em cinco áreas: residencial, mista, serviço, centro e região industrial. Em todas, os decibéis ficaram acima de 73. O grande vilão é unanimidade: o trânsito, principalmente veículos pesados.

Paulo diz que na área residencial o volume verificado foi de 75 decibéis e no centro 73,4. Os dois índices ficaram muito próximos, porque embora nos bairros o volume de carros seja menor, eles trafegam em alta velocidade pelas vias rápidas. Já no centro há mais veículos, mas a velocidade acaba sendo menor.

Frota reduzida

Para diminuir a barulheira, Paulo diz que a frota de carros nas ruas deveria ser menor. A população deveria andar mais de ônibus, como ocorre em países europeus. E recomenda melhorias no sistema de transporte coletivo, aumentando o número de veículos e a eliminação de ônibus mais antigos. Mas além dos veículos, no centro da cidade o volume dos carros de som e lojas de eletrodomésticos também fazem parte do problema.

Parques

O barulho também preocupa nos parques da cidade. Na maioria dos pontos pesquisados, o volume ultrapassa o recomendado pela legislação municipal. Só em locais mais retirados, como o Tingüi e Tanguá, a situação é melhor. Em apenas 23% dos pontos pesquisados os decibéis ficaram acima do permitido.

Outro dado importante levantado pela UFPR foi a opinião dos moradores sobre quem eles acham ser os responsáveis pelo ruído. Em primeiro lugar ficou o trânsito e em segundo os vizinhos. “Não existe respeito à individualidade”, analisa Paulo.

Segundo o diretor do Departamento de Pesquisa e Monitoramento da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Alfredo Trindade, a Prefeitura faz a fiscalização em pontos fixos, como bares e casas de show. No entanto, a fiscalização dos veículos estaria a cargo do Departamento de Trânsito (Detran). Ele explica que o Código de Trânsito Brasileiro determina vistoria em veículos com um certo tempo de uso. Seriam verificados os níveis de poluição provocada pela queima de combustíveis e da poluição sonora. Mas isso ainda não ocorre.