Se conseguir um emprego já é tarefa difícil para milhares de brasileiros, quando o assunto envolve deficiência física ou mental, as chances de se inserir no concorrido mercado de trabalho se tornam quase inexistentes. Mesmo com o Decreto n.º 3.298, de 1999, regulamentado a lei que obriga empresas brasileiras com mais de cem funcionários a terem entre 2% e 5% do quadro composto por deficientes, a situação não melhorou.

Prova disso é que dos quase 9 milhões de brasileiros com alguma deficiência física ou mental em idade de trabalhar, apenas 1 milhão (11,1%) exercem alguma atividade remunerada, dos quais 200 mil (2,25%) são empregadas com registro em Carteira de Trabalho. Os dados são do Censo 2000, divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Quando se fala em inclusão de deficientes no mercado de trabalho, pensa-se logo em grandes investimentos, em restruturação arquitetônica. Isso é um mito, que precisa ser derrubado”, aponta a coordenadora editorial e de relações acadêmicas do Instituto Ethos, Carmem Lúcia Visconti Weingrill, que esteve ontem em Curitiba no lançamento do manual “O que as empresas podem fazer pela inclusão das pessoas com deficiência”.

“Quando se fala em deficientes, as pessoas logo lembram de cadeirantes, mas eles representam somente 4% dos casos de deficiência física”, explica. “Os empresários acham que precisam derrubar paredes, colocar rampas, quando o deficiente visual, por exemplo, só precisa de faixas de fita crepe no chão para se localizar e poder se locomover. As deficiências têm muitas diferenças entre si.”

O manual reúne em 95 páginas várias informações como a situação das pessoas com deficiência no Brasil, garantias legais de acesso ao trabalho, benefícios que a inclusão traz à empresa, medidas para superar o preconceito, entre outros. “À medida em que as pessoas aprendem a lidar com a deficiência, reduzem também as diferenças”, acredita. Foram impressos quatro mil exemplares, e o conteúdo pode ser conhecido ainda no site www.ethos.org.br.

Prêmio

Além de incentivar empresas a investir em responsabilidade social e incluir deficientes em seu quadro de funcionários, o Instituto Ethos – fundado em 1998 – ainda promove pelo segundo ano consecutivo o Prêmio Ethos de Jornalismo. O objetivo é estimular a produção de reportagens sobre as responsabilidade social das empresas, em cinco categorias: jornal, revista, fotojornalismo, rádio e TV. Os vencedores receberão bolsa-pesquisa no valor de R$ 7 mil para desenvolvimento de projetos acadêmicos ou profissionais, mediante aprovação da comissão organizadora do Prêmio. O prazo para os jornalistas se inscreverem termina no dia 2 agosto, e a reportagem dever ser publicada ou veiculada entre o período de 1º de outubro de 2001 a 20 de julho de 2002. Podem ser inscritos trabalhos que mostrem a relação das empresas com acionistas, consumidores, fornecedores, público interno ou avaliem os impactos provocados pela atividade empresarial na comunidade e no meio ambiente. Maiores informações sobre o Prêmio Ethos no site da entidade.