Mais de 40 socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Curitiba aguardam há mais de um mês pelo pagamento da rescisão de seus contratos com o Hospital Evangélico. Assim como nos demais hospitais de retaguarda que atendem o sistema em Curitiba – Cajuru, Cruz Vermelha e Hospital de Clínicas (HC) -, os profissionais desta instituição foram demitidos devido ao encerramento do convênio com a Prefeitura da capital. Em substituição, a administração municipal firmou convênio com a Ecco Salva em outubro do ano passado, como a reportagem já tinha adiantado, para que esta empresa fique responsável pela contratação dos socorristas.

Nos demais hospitais que atendem a demanda do Samu em Curitiba, o pagamento das rescisões já foi feito e não houve qualquer problema de atraso. O Hospital Evangélico alega que ainda não recebeu da Prefeitura a verba que seria destinada ao pagamento das rescisões. Já a Prefeitura Municipal de Curitiba, por meio de sua assessoria de imprensa, afirma que o pagamento já foi feito. Em nota oficial, o hospital contesta a informação e diz que “o recurso que a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirma ter repassado são apenas para pagamentos mensais, onde não estão incluídas as verbas rescisórias”. A administração municipal, por sua vez, afirma que atrasos na liberação das verbas são “normais” no início do ano.

Enquanto isso, a situação tem causado apreensão entre os socorristas dispensados. “Muitos deles estão desesperados porque além de ficarem desempregados, não receberam nada ainda”, conta o presidente do Sindicato dos Socorristas, Resgatistas e Condutores de Ambulância do Estado do Paraná (Sindesconar-PR), Roberto Alexandrino da Silva, mais conhecido como Ceará. Dos mais de 100 socorristas que eram contratados pelos quatro hospitais de retaguarda de Curitiba, somente cerca de 30 foram absorvidos pela Ecco Salva, de acordo com Silva.

Dispensados no mês de novembro, os profissionais que deixaram o Evangélico deveriam ter recebido os valores referentes às demissões até o dia 20 de dezembro, quando vencia o prazo para o acerto, conforme o término do aviso prévio. No entanto, até esta semana, nenhum deles tinha recebido qualquer parcela do acerto, que inclui a segunda parcela do 13º salário, férias vencidas, aviso prévio, FGTS, entre outros. Ao todo, 44 socorristas estão nesta situação. Tanto a Prefeitura quanto o Evangélico garantem que o caso deve ser resolvido ainda na próxima semana.