Os casos de dengue no Paraná têm tido um crescimento preocupante em um intervalo de tempo de uma semana. Enquanto no dia 17 de março eram 2.356 casos confirmados da doença, ontem, dados atualizados divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) apontaram 3.357 doentes registrados até o dia 23 de março.

Os casos suspeitos também estão aumentando: em 17 de março eram pouco mais de 9 mil notificações, enquanto ontem o número saltou para 12.524. Para a Sesa, o grande problema ainda são os criadouros dos mosquitos em residências.

As cidades que apresentaram maior número de casos foram Medianeira (667) e Foz do Iguaçu (484), na região oeste do Estado; e Maringá (460), na região noroeste.

As maiores incidências – quando se calcula o número de casos por 100 mil habitantes – ocorrem em Paranacity, no noroeste, (com 2.145,16 por 100 mil habitantes); Medianeira (1.633,48) e Primeiro de Maio, no norte (1.429,45).

O superintendente de Vigilância em Saúde da Sesa, José Lúcio dos Santos, explica que o aumento no número de casos já era esperado em função do excesso de chuvas e do calor dos últimos meses.

“Os ovos do mosquito podem ficar até um ano e meio secos e, depois disso eles ainda podem viver. O mosquito aperfeiçoou a perpetuação de sua espécie”, explicou.

Por isso, alertou Santos, é necessário o cuidado da população com a água parada. “Ainda vamos levar gerações para dar um destino adequado para os descartáveis. É preciso olhar o seu ambiente pelo menos uma vez por semana. A consciência coletiva é muito importante, pois o fato de eu ter água parada no meu quintal pode afetar todos que estão a minha volta”, observou.

Outro agravante é que circulam três tipos de vírus da dengue no Paraná – o quarto tipo pode ser encontrado em países da América Central. Quando uma pessoa é contaminada por um tipo de vírus fica imune a ele, mas pode adquirir a doença por meio dos outros dois tipos, por isso que os casos têm crescido tanto. Santos acredita que a chegada do outono e do inverno dará uma trégua na dengue. “Vai começar a diminuir o número de casos no final de abril”, avalia.

O secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin, faz um apelo à população quanto aos criadouros. “Procure sempre acompanhar o agente de saúde na visita ao seu imóvel, tire as dúvidas, siga as orientações dele, pois ele é o profissional capacitado para dar orientações sobre os criadouros”, alertou o secretário.