Com as denúncias de fraudes em taxímetros em Curitiba, motivo da mais recente fiscalização da Urbanização de Curitiba (Urbs), os motoristas de táxi estão com bastante receio de perderem a clientela e serem taxados como criminosos. Mesmo que apenas 195 taxímetros dos mais de 2,2 mil táxis de Curitiba estejam sob suspeita, a maioria dos condutores têm passado por situações constrangedoras, como a necessidade de dar explicações sobre os equipamentos que utilizam. A investigação se concentra em veículos que utilizam a marca B&P e o modelo TKS 56.

“Mesmo sabendo que não são todos os táxis que estão sendo investigados, os passageiros têm perguntado bastante sobre o taxímetro, se é aquele da fraude. Então tenho que explicar que não, que utilizo um modelo bastante antigo”, conta o taxista Elizeo Gonçalves dos Santos Junior. Para ele, os usuários de táxi se sentem lesados mesmo sem ter certeza sobre a fraude. “Isso ainda pode nos prejudicar porque ficamos com uma imagem ruim. Um deles chegou até a comparação essa situação com aquela dos postos de combustíveis”, completa ele, fazendo referência à denúncia de fraudes em bombas, veiculada pelo programa Fantástico, da Rede Globo.

O motorista Luis Silva também diz que atualmente precisa dar explicações para os passageiros. “A principal dúvida é a respeito do taxímetro. Então, mostro que não é a marca que está com problema”. Para Carlos Alberto de Souza, que trabalha nessa atividade há 21 anos, é uma situação vergonhosa. “É constrangedor, tanto para mim quanto para o passageiro, porque, por mais que eu seja honesto e saiba disso, o passageiro sempre duvida”, lamenta. O maior medo, portanto, é de que a população generalize a categoria e trate todos os profissionais da área como fraudadores.

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Apesar de estarem vivendo situações atípicas por conta da denúncia referente aos taxímetros, os motoristas de táxi ainda são favoráveis à realização da fiscalização. “A fiscalização tem que ser feita para tirar as ‘maçãs podres’ da caixa. Só assim os passageiros vão saber quem são os honestos”, avalia Souza. “A fiscalização tem que existir para que o serviço tenha mais credibilidade. Apesar de saber o valor do meu trabalho, também sei que existem maus elementos, como em qualquer profissão”, analisa Silva.