A concessionária Ecovia Caminho do Mar tem 24 horas para explicar ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER) os motivos que levaram a empresa a fechar a ?Estrada dos Jesuítas? – caminho alternativo que evita a passagem pelo pedágio na BR-277. O DER, que encaminhou a notificação ontem, disse que o departamento deveria ter sido consultado antes de qualquer ação da empresa.

No último sábado, a Ecovia bloqueou a estrada alternativa sem permissão do DER. A polícia foi chamada e no mesmo dia o bloqueio foi desfeito. Ontem, funcionários da Prefeitura de São José dos Pinhais estavam trabalhando no local, para cobrir as crateras abertas na estrada pela Ecovia.

De acordo com o secretário de Urbanismo de São José, Sandro Almir Setim, o superintendente da Ecovia procurou o prefeito de São José dos Pinhais, Leopoldo Meyer, um dia antes do fechamento da pista. ?Ele veio informar o prefeito que a estrada alternativa estava sendo usada para desviar cargas roubadas e também estava servindo de rota de fuga para criminosos?, disse Setim.

O contrato de concessão firmado entre a concessionária e o governo do Estado exige que a Ecovia informe o DER sobre qualquer ?construção, reformulação ou remoção de acessos?. ?A ação da concessionária foi unilateral, arbitrária e sem o consentimento do poder concedente, ou seja, do Estado?, afirmou o diretor-geral do DER, Rogério Tizzot. ?Vamos esperar a posição oficial da empresa para tomarmos outras medidas cabíveis?, explicou.

A assessoria de imprensa da Ecovia disse que vai entrar com uma ação na Justiça, ainda esta semana, para fechar novamente a estrada. A empresa alega que o desvio alternativo passou a ser mais usado pelos motoristas depois que a imprensa divulgou a existência da rota. Além disso, a Ecovia afirma que a utilização da estrada põe em risco a vida dos usuários porque não existe retorno adequado no local.

Num levantamento feito pela concessionária, passam pela ?Estrada dos Jesuítas? cerca de 500 veículos por semana, dos quais 50 são caminhões. Com a aproximação da safra e do feriado de Páscoa, a Ecovia disse temer que o fluxo aumente ainda mais e cause acidentes.

No sábado, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) multou a Ecovia em R$ 30 mil. Segundo o órgão, a empresa causou danos ambientais ao movimentar o solo e subsolo da região, abrindo crateras na via.