A derrubada começou por volta
das 22h30 de ontem.

Sem discursos, nem tumulto, e à margem das últimas polêmicas, as grades que cercavam a Praça Nossa Senhora da Salete e o Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, começaram a ser retiradas às 22h30 de ontem. O trabalho, realizado por uma empresa contratada pelo Decon -Departamento de Estado de Construção de Obras e Manutenção -, deveria se prolongar até a manhã de hoje.

O motivo do horário noturno foi para evitar tumultos e acidentes, segundo explicou o diretor-presidente do Decon, Cezar Benoliel, que acompanhou a retirada das grades e ajudou na derrubada do primeiro “pedaço”. Junto com ele, o secretário para Assuntos Estratégicos, Nizan Pereira, também auxiliou na derrubada simbólica. “Fui pego de surpresa. Estava caminhando com minha esposa, quando vi a movimentação”, disse.

Política

Ao todo, foram retirados quase 350 metros da cerca. “Não vamos entrar no espaço de outros poderes”, explicou Benoliel, já que a retirada ficará restrita à área do Palácio Iguaçu. O valor do serviço, conforme registrou, foi de pouco mais de 5 mil reais. “Para esse montante, não há a necessidade de licitação”, garantiu. As grades, cortadas a fogo, ficarão sob a custódia do Estado até que uma decisão política lhes dê um destino.

Benoliel aproveitou para ressaltar o caráter político do ato. “O governador Roberto Requião cumpre o que promete. Devolver a praça à comunidade era uma de suas promessas de campanha”, comentou. Aquela área foi cercada em 2000, quando militantes do Movimento Nacional dos Sem-Terra (MST) acampou na Praça Nossa Senhora da Salete, para pedir ao então governador Jaime Lerner (PFL), soluções para os problemas de assentamentos. Segundo Benoliel, um grande ato popular marcará o fim do “cerco”.