Foto: Átila Alberti/O Estado

As "bóias loucas", que são proibidas, ficam dispostas ao longo da represa, fazendo vítimas peixes e aves.

Os abusos e a falta de comprometimento com o meio ambiente por parte de alguns pescadores amadores estão prejudicando a fauna da represa do Capivari. O acúmulo de lixo nos barrancos e, principalmente, a pesca predatória – com a utilização de equipamentos proibidos e o desrespeito ao período de reprodução – podem comprometer, em médio prazo, o desenvolvimento dos peixes no local.

Morador da margem da represa, o empresário José Valdir Assunção, o Garrincha, pratica pesca esportiva e revela que, quase que diariamente, presencia cenas de desrespeito. "A questão do lixo até melhorou um pouco. Há três anos fizemos um mutirão que retirou 22 toneladas de lixo da água. Agora, já tem um pessoal mais consciente", comentou. "O grande problema é a pesca predatória: todo fim de tarde dá para ver gente armando rede", concluiu.

Alegando ter autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), alguns pescadores estão utilizando materiais como redes, tarrafas (redes de lançamento), materiais só permitidos na pesca comercial, que é proibida na represa. O órgão que regulamenta e fiscaliza a pesca no local é o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que através da assessoria de imprensa, negou a emissão de qualquer tipo de autorização.

À convite do presidente do Clube Capivari Cachoeira de Pesca Esportiva, José Carlos Biscaia, a reportagem percorreu de lancha quase toda a extensão da represa e constatou diversas irregularidades. Apesar de à luz do dia ser praticamente impossível visualizar redes e tarrafas, pôde-se observar diversos acampamentos escondidos no meio da mata, muito lixo nos barrancos e marcações com latas, baldes e plásticos, que segundo Biscaia, são utilizadas pelos pescadores para saberem onde armaram as redes.

Na região conhecida como Sete Porteiras, foram encontradas diversas "bóias loucas": bóias presas a linhas e vários anzóis que são soltos na água e recolhidos horas depois, cheios de peixes, material também proibido e que tem prejudicado até as aves do local. Como usam peixes pequenos como isca, as bóias-loucas atraem também os pássaros pescadores, que acabam morrendo após comer o anzol.

Piracema

Outra irregularidade apontada por Biscaia é o desrespeito à época de desova, a piracema. Durante a piracema, os peixes se descuidam de suas estratégias de proteção. Tornam-se presa fácil. A longa viagem para achar o local adequado para a desova os deixa extenuados. Muitos pescadores aproveitam-se dessa fragilidade para capturá-los facilmente, e em grandes quantidades.

Para tentar inibir a pesca predatória, o clube de pesca esportiva e a comunidade local tem se comprometido a fiscalizar e denunciar os abusos à Polícia Florestal, que os tem atendido prontamente. Além disso, eles mantêm um barco à disposição da Polícia Florestal para que sejam feitas buscas e autuações. "Em 15 anos pescando aqui, fui fiscalizado uma única vez. Se não fizermos a nossa parte, pode acontecer igual à represa do Passaúna, onde a pesca foi proibida", comentou Biscaia.