Foto: Chuniti Kawamura

Problemas no hospital.

A direção do Hospital de Clínicas (HC) entregou na sexta-feira à noite um documento ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral (Sinditest) pedindo que 100% dos servidores volte ao trabalho nos setores críticos, como as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). O pedido será analisado amanhã pelos técnicos-administrativos, em greve desde a última segunda-feira.  

Desde que os servidores aderiram à paralisação nacional, os pacientes no HC estão tendo problemas. Segundo a direção do hospital, setores críticos como as UTIs estão com a metade dos funcionários necessários para dar o atendimento necessário. A UTI adulto, por exemplo, estava lotada e apenas a metade dos servidores trabalhando. Na unidade semi-intensiva havia vagas, mas não dava para transferir qualquer paciente devido a falta de funcionários. No Pronto Atendimento três pessoas chegaram a ficar mais de 24 horas esperando em respiradores por uma vaga.

O diretor-geral do HC, Giovani Loddo, convocou a imprensa na semana passada para falar sobre a situação. Ele disse que entendia o movimento, mas criticou a atitude dos servidores. ?O sindicato tem direito de fazer greve, mas não de colocar em risco a vida de pacientes. Com a paralisação, os servidores não estão prejudicando o governo nem a diretoria do hospital, mas a população carente que busca atendimento?, afirmou. A direção do HC também comunicou o Ministério Público Federal, que estuda entrar na Justiça com uma ação civil pública pedindo o restabelecimento dos serviços críticos.

O presidente do Sinditest, José Carlos Belotto, diz que 33 instituições federais de ensino superior já aderiram ao movimento. Na segunda-feira eles se reúnem para analisar o pedido da direção do hospital e na terça-feira promovem uma manifestação na reitoria, em conjunto com o Ibama que também está em greve. Na quarta-feira haverá uma mesa redonda entre a Federação de Trabalhadores das Universidades Brasileiras (Fasubra) e o Ministério do Planejamento.

Na Universidade Federal do Paraná (UFPR) a paralisação dos servidores atingiu os restaurantes universitários, bibliotecas e central de transporte. Os servidores da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UFTPR) também aderiram à greve e começam a cruzar os braços amanhã.

As principais reivindicações da categoria estão relacionadas a medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e à Emenda 3. O PAC tem um projeto de lei que limita o crescimento da folha de pagamento do governo federal em 1,5% ao ano. Isso significa congelamento do salário dos servidores até 2016, entre outros.