A construção de um centro cirúrgico anexo ao prédio do Instituto Médico-Legal (IML) de Curitiba poderia ajudar a aumentar a captação de órgãos, tecidos e ossos para transplantes.

Essa foi uma das sugestões discutidas ontem durante uma reunião de médicos e representantes da Central de Transplantes do Paraná com a Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa, em Curitiba. De acordo com o Banco de Ossos do Hospital de Clínicas, o número de doações recolhidas na instituição caiu significativamente entre este ano e o ano passado.

A proposta sugerida durante a reunião será encaminhada às secretarias Estadual de Saúde (Sesa) e de Segurança Pública (Sesp). A coordenadora da Central de Transplantes, Jussara Trancoso, afirma que a idéia já havia sido apresentada à antiga direção do IML, e seria uma alternativa para evitar a remoção do corpo para um hospital. Além disso, poderia contribuir para aumentar a captação de órgãos, tecidos e ossos para transplantes no Paraná.

O diretor médico do Banco de Ossos do Hospital de Clínicas, Paulo Alencar, conta que, enquanto em 2007 houve 49 doações, em 2008 este número ainda não passou de 13. “Se continuar assim, não conseguiremos atender à necessidade, que passa de 50 mil cirurgias por ano no Brasil”, diz.

Outra alternativa defendida por ele seria um trabalho nos hospitais considerados potenciais – como prontos-socorros, institutos de coração e neurocirurgia – para que ampliem as notificações. Alencar também aponta possibilidade de criar um canal direto com as centrais funerárias.

O médico Hamilton Moreira, da Central de Olhos, defende a regulamentação no Paraná da Organização de Procura de Órgãos (OPO), que atua junto aos hospitais na busca por doadores.

Já o médico Gerson Tavares, do Banco de Tecidos Músculo-Esqueléticos do Hospital de Clínicas, sugere a realização de campanhas para levar o assunto da doação de órgãos para as famílias. “Fica muito mais fácil para a equipe de captação saber a vontade do paciente em doar ou não”, afirma.

A coordenadora da Central de Transplantes, Jussara Trancoso, atesta que todas as propostas serão estudadas. Ela adianta ainda que a central trabalha para capacitar os pequenos municípios na captação de órgãos e que a Sesa deve adquirir ainda este ano um helicóptero para auxiliar todas as instituições de saúde, principalmente na captação de órgãos.