A simples atitude de conversar sobre a doação de órgãos pode salvar muitas vidas. Expressar o desejo de doar pode determinar a opção da família de uma pessoa com morte cerebral em autorizar o procedimento.

Atualmente, se a família fica na dúvida, não permite a doação. O alerta foi dado por Arlene Badoch, coordenadora da Central Estadual de Transplantes, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Nesta terça-feira (27), foi celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos.

De acordo com Arlene, de todas as notificações de morte cerebral feitas pelos hospitais no Estado, somente cerca de 45% resultam em doações de órgãos autorizadas pelas famílias dos pacientes.

“Existe a falta de conhecimento se aquela pessoa é doadora. Estamos insistindo na questão da humanização nos hospitais. Se o técnico não está preparado para repassar toda a informação para que a família entenda o processo, ela fica na dúvida e acaba não autorizando a doação”, explica Badoch.

A decisão sempre acontece em um período de sobrecarga emocional, quando um parente teve um trauma cerebral de uma hora para outra, normalmente em acidentes automobilísticos ou em casos como acidente vascular cerebral (AVC).

“O maior problema é ter a perda súbita de alguém. De um dia para o outro, você tem que se deparar com a morte de uma pessoa querida. Expressar em vida o desejo de doar ajuda muito. Às vezes a família não quer, mas autoriza por conta da vontade do ente querido. Se houver dúvida, a família não autoriza”, conta Antoninho Pereira, coordenador de transplantes da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba. Nesta terça-feira, a instituição entregou panfletos sobre a importância da doação na Praça Rui Barbosa, no centro da cidade.

Outro problema enfrentado pela Central de Transplantes é a subnotificação dos hospitais, que são obrigados a avisar quando há pacientes com morte encefálica que podem ser doadores.

É realizada uma série de exames para saber se há condições de aproveitar os órgãos para transplantes. Todo o protocolo deve ser feito rapidamente, pois a retirada dos órgãos pode ocorrer, no máximo, entre 12 e 24 horas da determinação da morte cerebral. “Estamos trabalhando para que a subnotificação diminua, que o protocolo seja o mais rápido possível”, afirma Bardoch.

No Paraná, entre janeiro e setembro deste ano, foram realizados 1.091 transplantes de órgãos e tecidos. Houve aumento de 41,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

O tipo de transplante mais realizado é o de córneas, com 886 procedimentos em 2011. Segundo a Central de Transplantes, a fila de espera com a maior quantidade de pacientes é do rim, com cerca de 2,3 mil pessoas.