Vitória Eduarda, 21 dias, e Diogo, 22 dias, morreram ontem, vítimas de infecção generalizada no Hospital Universitário (HU), de Maringá. Ambos chegaram ao HU, transferidos de hospital de Sarandi, em estado grave.

Vitória conseguiu vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de imediato, mas Diogo morreu numa UTI improvisada. O diretor do HU, Ricardo Plépis, insiste não ter havido negligência por parte da equipe do hospital local e nem falta de estrutura para atendimento às crianças. ?Mesmo na UTI improvisada, Diogo teve todo atendimento que precisava?, garante o diretor.

Ontem, a falta de UTI para adultos foi manchete em O DIÁRIO e dois pacientes estavam internados numa emergência, dependendo da alta de outros doentes para conseguir a vaga. Apesar da falta crônica de estrutura para quadros de alta complexidade, o Hospital Municipal, inaugurado em abril deste ano, não recebeu dos governos estadual e federal recursos para dotar a instituição de equipamentos básicos para investigar o problema do paciente.

REFERÊNCIA
Daqui alguns anos, por sua estrutura física, aquele hospital pode se tornar referência regional em atendimento à saúde pública. Por enquanto, é um prédio bonito, muito bem cuidado, mas inaugurado sem os equipamentos básicos para investigar o problema do paciente e com capacidade para receber apenas 30 pacientes com a saúde estável.

Bem diferente do HU, que nos últimos dois finais de semana atendeu cerca de 800 pacientes, pouco mais de 300 foram internados no Hospital Municipal desde sua inauguração, em abril deste ano. Apesar de ter mais de 100 quartos para internamento, a atual estrutura de atendimento médico-hospitalar não comporta mais de 30 pacientes; entre adultos e crianças.

No HU trabalham 193 servidores, mas o quadro deveria dobrar para atender a demanda, sobretudo no final de semana, quando cada funcionário tem de atender quatro pacientes ao mesmo tempo. Cento e quarenta servidores foram contratados para trabalhar no Hospital Municipal e a prestar serviços aos 30 pacientes, capacidade atual de internamento. Ontem, por não ter capacidade para receber pacientes com quadro clínico como e de Diogo e Vitória Eduarda, apenas 19 leitos estavam ocupados.

Nessa primeira fase, 5 mil metros quadrados já estão sendo ocupados entre ala médica, administrativa e outros serviços como lavanderia e cozinha. Apesar de maioria dos leitos ainda estar desativado, o que reduz bastante o uso efetivo para tratamento médico, toda área necessita de todos os cuidados de um hospital com total ocupação.

POR QUÊ?
O diretor do Hospital Municipal, Agenor Cheutchuk, acompanhou a equipe de O DIÁRIO por várias alas ainda vazias, entre elas a UTI. Segundo ele, atendimento de pacientes graves somente deve ocorrer em 2003, quando a unidade for equipada. ?Não temos equipamentos para investigar patologias. Estamos adquirindo. As licitações já foram abertas?, insiste ele, para responder por que a unidade só recebe pacientes estáveis.

O diretor admite que há espaço e funcionários para atender bem mais que 30 pacientes, mas adverte: ?Se não inaugurasse o hospital para atendimento de baixa complexidade, tão cedo ele não funcionaria. Com ele em funcionamento, é possível pedir recursos para atendimentos de alta complexidade?.

O argumento do diretor evidencia que a atual política pública de saúde obriga os municípios mendigar recursos à Secretaria Estadual de Saúde e ao Ministério da Saúde. Segundo ele, o Hospital Municipal custa cerca de R$ 250 mil por mês e é mantido com recursos do município.

A falta de recursos para atendimento aos pacientes que chegam todos os dias a Maringá foi um dos assuntos de uma reunião do Conselho Municipal de Saúde, ontem. Segundo o presidente, Carlos Roberto Rodrigues, os prefeitos da região serão convocados a ajudar a pagar a conta dos serviços prestados aos seus moradores, sob pena de suspensão do atendimento. ?Ou eles ajudam ou pressionam o governo estadual. Precisamos contar com a sensibilidade de todos?, insiste Rodrigues.

A Secretaria Municipal de Saúde fecha o balanço mensal com déficit de cerca de R$ 400 mil. Esse valor equivale também às despesas atuais com o Hospital do Câncer, segundo ele, onde a lista de pacientes da região equivale a 50% do atendimento. (Fonte:
O Diario de Maringá)