Planalto, PR ? O coletivo de jovens da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul/CUT), entidade orgânica à Central Única dos Trabalhadores, espera a participação de dois mil jovens no acampamento da juventude rural, que acontecerá de 29 a 31 de maio, no Parque de Exposições da FEMI, em Xanxerê-SC. Os jovens são oriundos de mais de 200 municípios dos três estados do Sul, que estão na área de atuação da Fetraf-Sul/CUT. Os objetivos da atividade são discutir, elaborar e negociar políticas públicas voltadas para a juventude rural, especialmente o acesso à terra; avançar no processo organizativo da juventude; desenvolver mobilizações e levantar demandas; denunciar a concentração e a reconcentração fundiária; animar e valorizar a participação da juventude, bem como dar visibilidade à juventude da agricultura familiar e sua organização sindical.

Programação – A abertura oficial do acampamento acontecerá às 14h do dia 29, seguida de uma exposição, que fará uma análise de conjuntura do setor e da participação dos jovens. À noite, acontecerão atividades culturais, com exibições artísticas da juventude e do universo rurais.

No dia 30, divididos em grupos, os jovens rurais discutirão propostas de políticas públicas, que propiciem acesso à terra, crédito, educação voltada para a realidade rural, habitação, assistência técnica, qualificação profissional e seguro-renda, entre outras. Na parte da tarde, uma grande plenária discutirá as propostas formuladas nos grupos de trabalho, visando a elaboração de uma proposta única. A noite do segundo dia de acampamento será animada, ainda, por um Bailão da Juventude da Agricultura Familiar.

O último dia (31/05), iniciará com debates microrregionais sobre a organização da juventude rural e a conquista de políticas públicas. Em plenária de encerramento, os jovens pretendem entregar ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, e outras autoridades dos governos estaduais e nacional o documento final do acampamento.

Primeira Terra ? A juventude da agricultura familiar representa 19% da população desse setor na região Sul do Brasil e 25% da população rural (estimada em cinco milhões e trezentas mil pessoas) nessa mesma região encontra-se na faixa dos 15 aos 30 anos. Uma pesquisa realizada pelo coletivo de jovens da Fetraf-Sul/CUT em parceria com o Departamento de Estudos Sócio-Econômicos Rurais (Deser), aponta que 60% dos jovens agricultores familiares entrevistados desejam permanecer na atividade rural. ?O que tem expulsado a juventude do interior do país, em especial dos pequenos municípios, é a falta de perspectivas; de uma educação que resgate a auto-estima em ser agricultor e agricultora; de oportunidades para a geração de renda e a sucessão?, afirma Severine Macedo, coordenadora de jovens da Fetraf-Sul/CUT. Ela reforça o argumento, lembrando que, ?só no Oeste de Santa Catarina, 10 mil propriedades rurais estão sem perspectivas de sucessão para a permanência na terra e isso equivale a 12% das propriedades familiares naquela região?. Apenas 45% destes se propõem a contrair empréstimo, com a finalidade de adquirir um imóvel rural e garantir a sucessão.

O coletivo de jovens da Fetraf-Sul/CUT vem organizando inúmeras atividades para debater essa problemática e esse trabalho resultou em propostas para o programa ?Nossa Primeira Terra? do governo federal, formuladas em parceria com a equipe de sócio-economia do Cepaf, da Epagri, da Apaco e do Deser.

Entre as necessidades apontadas pelo documento, está a de criação de uma Câmara de Reordenamento Fundiário tripartite (estado, representação dos agricultores e beneficiário) para a gestão do programa do governo federal. O material define, também, alguns critérios para a participação no ?Primeira Terra?, esboça a viabilidade das unidades produtivas, de fontes de recursos, seguro renda e o controle social, entre outras coisas.

De acordo com o último Censo Agropecuário do IBGE, a agricultura familiar na região Sul representa 90% dos estabelecimentos agropecuários, 84% do pessoal ocupado, mas possui somente 44% da área total, embora contribua com 57% do valor bruto da produção.