A Sanepar concluiu nesta semana a pesquisa realizada em parceria com o Procon e com os vereadores do Partido Verde que tinha por objetivo verificar se os eliminadores cumpriam ou não com o que afirmam seus fabricantes. O resultado confirma: não existe ar na rede de água de Campo Mourão. Também em Curitiba, em julho, foi realizada uma pesquisa com 24 casos e o resultado mostrou a ineficiência dos eliminadores de ar.

A pesquisa em Campo Mourão teve início no dia 25 de junho e foi concluída em 26 de agosto. Foram instalados quatro pontos de monitoramento, escolhidos pelo coordenador do Procon, Ricardo Borges Botaro e pelos vereadores José Turozzi e Idevalci Maia. Em cada ponto foram instalados dois hidrômetros, um antes e outro depois do eliminador de ar. Semanalmente, com a presença de vereadores e de técnicos do Procon foi feita a leitura de todos os hidrômetros. A diferença de medição entre os hidrômetros sem os equipamentos e aqueles com os eliminadores de ar ficou em 0,19%. Essa margem insignificante está muito abaixo da recomendada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e pelo Inmetro, que é de até 5%, para mais ou para menos.

A promessa dos fabricantes é reduzir em até 35% a conta de água, pois no seu entendimento o consumidor teria a conta alterada pela presença de ar na rede, que seria eliminado por tais equipamentos. “Como não existe ar na rede, tais equipamentos são inócuos”, assegura o gerente de Gestão Comercial da Sanepar, Paulo Muller.

Com o acompanhamento dos vereadores e de técnicos do Procon, no dia 25 de junho foram instalados os equipamentos fornecidos pelos fabricantes das marcas Evit Ar e Dolphin sendo dois na Rua Francisco Albuquerque e um na Avenida Capitão Índio Bandeira e um na Rua Inácio Trombini. Já na instalação, dois eliminadores de ar, da Dolphin, tiveram que ser substituídos porque apresentavam vazamento.

No equipamento instalado na Rua Capitão Índio Bandeira a diferença entre os hidrômetros com e sem eliminador de ar foi de 0,5%. Na Rua Francisco Alquerque, o hidrômetro após o eliminador de ar apresentou consumo maior do que o registrado pelo hidrômetro sem eliminador. Nos outros dois casos a diferença é de 0,45% e 1,02%, sem representar prejuízos para o cliente da Sanepar. Todos os hidrômetros, antes da instalação, foram aferidos como preconiza a norma brasileira.

Para o gerente da Unidade de Receita de Campo Mourão, Roberto Takashina, a pesquisa comprova que os fabricantes estão “enganando o consumidor”, induzindo-oa “gastar dinheiro à toa”.

Outra observação do gerente é quanto à qualidade da água. Existe grande risco de contaminação da água, não apenas no imóvel do cliente, mas em toda a rede que abastece os vizinhos. A contaminação pode ocorrer pelos pontos abertos do equipamento. Esta abertura contraria as normas de disposição da água na rede, que sempre é totalmente vedada.