As obras da PR-092, entre os municípios de Rio Branco do Sul e Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), foram novamente interrompidas. O novo capítulo dessa longa novela tem agora como personagem principal a empreiteira Gava, responsável pela pavimentação do Lote 2, num trecho de 25 quilômetros entre a ponte sobre o Rio Piedade até Cerro Azul.

Depois de ter iniciado os trabalhos e já pavimentado 10 quilômetros da rodovia, a Gava atrasou três meses de salário para os 30 funcionários que trabalhavam no local, na maioria moradores de Cerro Azul. O dinheiro para a obra, repassado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), já estava nas mãos da empresa. Além disso, os trabalhadores também reclamam que não recebem o Fundo de Garantia há um ano. Eles reivindicam os salários atrasados e cobram a rescisão de contrato para que possam voltar a trabalhar.

Desde segunda-feira pela manhã, os funcionários estão acampados na sede da empreiteira na capital, exigindo seus direitos. Segundo José Novak, que trabalha na empresa desde 1981, os proprietários da empresa souberam da presença dos trabalhadores, e propuseram o pagamento de R$ 400 para cada empregado, um valor menor do que o total atrasado. “Ninguém aceitou e nem vai aceitar. Queremos acertar nossas contas e receber o que é de nosso direito”, afirmou.

Hoje, pela segunda vez, os funcionários, representantes da empresa e o Sindicato dos Trabalhadores em Terraplanagem e Pavimentação (Sintrapav-PR) se reúnem na sede da entidade para tentar fechar um acordo. Ontem à tarde, eles já haviam se reunido no sindicato, mas nada ficou definido. “Temos que acertar nossa situação. Tem gente que não tem dinheiro para pagar as contas. Trabalhamos nesse período e queremos uma solução”, disse Leônidas Teixeira, outro funcionário da empreiteira.

De acordo com o secretário-executivo do sindicato, Raimundo Ribeiro, as negociações estão próximas de serem fechadas. A empresa estaria disposta a acertar a situação de todos os funcionários. Segundo a proposta da Gava, os funcionários teriam os contratos rescindidos, e receberiam um adiantamento. “As formas de pagamento deverão ser discutidas nesse outro encontro. Esperamos que tudo saia dentro do previsto”, informou Raimundo.

De novo

No início do ano, o mesmo caso aconteceu com a empresa Lemos da Nova, que administrava a pavimentação do Lote 1, com 28 quilômetros de Rio Branco do Sul até a ponte do Rio Piedade. O contrato com o DER foi cancelado, e a empresa Bueno assumiu o controle das obras. O prazo para a Gava abrir mão da pavimentação se esgota hoje. Ou a empreiteira cede para outra concorrente ou o contrato será cancelado. No Lote 2, ainda restam 15 quilômetros a serem pavimentados. No Lote 1, 25 quilômetros. A PR-092 foi construída em 1982 e, 22 anos depois ainda não foi totalmente pavimentada.