Cinco organizações não-governamentais de Curitiba ? Movimento de Proteção Animal SOS Bicho, Sociedade Protetora dos Animais, Clube das Pulgas, Associação do Amigo Animal e Urbinatura ? se uniram, com o apoio da Promotoria de Proteção ao Meio Ambiente, para investigar empresas que alugam cães de guarda. Inicialmente, serão verificados os serviços de quatorze empresas.

Segundo a vice-presidente da SOS Bicho, Rosana Gnipper, muitas locadoras simplesmente abandonam seus animais em imóveis vazios, obras paradas ou barracões, deixando-os sem água e comida por vários dias. “Recebemos muitas denúncias de maus tratos a cães de guarda. Na maioria das vezes, elas são feitas por pessoas que moram ou trabalham em locais próximos aos lugares onde os bichos são colocados”, afirma.

Além de passar fome, muitos animais não têm como se proteger do sol forte e da chuva. Há denúncias de animais que ficam doentes e não são socorridos. Também são comuns empresas que não recolhem as fezes dos animais diariamente, o que atrai moscas e ratos, gera mau cheiro e incomoda os vizinhos.

Risco maior

Rosana conta que quando recebe uma denúncia, liga para a empresa responsável e pede satisfações. “Os responsáveis pelas empresas têm desculpas para tudo e, muitas vezes, chegam a ser mal-educados”, conta. “A principal defesa é dizer que os alimentos e a água são levados aos animais em horários que as pessoas não percebem e colocados em locais onde elas não enxergam.”

Praticamente abandonados, porém, os animais são um risco para quem mora próximo. Há cães ferozes que são colocados em locais de muros baixos ou mal cercados, podendo fugir. “Com fome e estressados, os cães fugitivos podem atacar alguém e mesmo vir a matar”, alerta. “Recentemente, recebi uma denúncia de que um desses cães de guarda estaria pulando o muro e invadindo o terreno da casa vizinha, onde vive uma criança pequena. Ele já teria atacado um outro cachorro e assustado os moradores.”

De acordo com Rosana, não existe um órgão oficial que fiscalize as empresas locadoras de cães de guarda. “Ligamos para a polícia, dizendo que um animal está sendo maltratado e colocando em risco a vida das pessoas, e geralmente ela alega que está tendo dificuldades até para deter ladrões e que não pode perder tempo prendendo cachorros.”

As ONGs pretendem pedir o fechamento das empresas em situação irregular. Durante as investigações, elas vão pedir a documentação das locadoras e um laudo de médico veterinário que comprove a integridade física dos animais.

As entidades pedem que a população colabore e informe locais onde cães de guarda estão sofrendo maus tratos. As denúncias podem ser feitas pelos telefones (41) 254-8713 e (41) 347-8411.