Rua alagada na Cidade Industrial, um
dos bairros mais atingidos em Curitiba.

Casas de diversos bairros de Curitiba e de outros municípios da Região Metropolitana ficaram alagadas na madrugada de ontem. Das 20h à meia-noite de anteontem, choveu em Curitiba o equivalente a nove dias de fevereiro. Segundo o Simepar, em quatro horas a precipitação foi de 40 milímetros. A média histórica dos últimos 27 anos na cidade, para todo o mês de fevereiro, é de 137,7 milímetros.

A chuva forte obrigou muita gente a procurar abrigo na casa de vizinhos, amigos e parentes. Dezenas de pessoas tiveram que faltar ao trabalho e passar o dia de ontem tirando lama de dentro de casa, secando roupas e tentando salvar móveis, colchões e objetos pessoais. Foram mais atingidas regiões próximas ao Rio Barigüi, que, segundo testemunhas, chegou a ficar mais de um metro acima do leito normal. A estimativa é de que mil casas tenham sido atingidas, sendo que 93 pessoas tiveram que se abrigar na escola Pró-Morar Barigüi e na Igreja Nossa Senhora Aparecida. Todas voltaram para suas residências ontem de manhã.

Na Cidade Industrial, a empregada doméstica Maria Dembinsqui ficou sem dormir. Assim que sua casa começou a encher de água, por volta das 11h30, ela acordou os familiares para que tentassem erguer móveis, retirar tapetes e colchões. “Passamos a noite inteira acordados tentando salvar as coisas”, contou. “Apesar dos esforços, perdemos fogão, uma pia de cozinha e alguns colchões. É a quarta enchente que enfrentamos.”

Garantir a segurança das crianças foi a principal preocupação da auxiliar de serviços gerais Maria Ivone Cerqueira, moradora da Fazendinha. Quando ela viu que a água estava entrando dentro de casa, pegou as crianças no colo e cuidou para que elas ficassem em locais altos. A filha, de 12 anos, teve que passar a noite na casa de uma vizinha. “Tive muito medo que as crianças entrassem em contato com a água e acabassem pegando uma doença”, afirmou. “Cuidei para que elas ficassem em segurança e permaneci em casa para tentar salvar os móveis, os alimentos e as roupas.”

Na capital, também foram atingidos os bairros Boa Vista, Uberaba, Alto Boqueirão, Jardim Mercúrio e Vila Osternack. Durante a manhã, agentes de saúde visitaram parte das casas alagadas e distribuíram água sanitária. Depois da enchente, a maior preocupação é de que os moradores venham a ser vítimas de leptospirose, doença transmitida pela urina dos ratos.

A localidade de Borda do Campo foi a mais atingida em São José dos Pinhais. A dona-de-casa Fabiane Ferreira de Souza e sua família ficaram ilhadas. A água não chegou a entrar dentro de sua casa, mas alagou completamente o quintal. Crianças e animais de estimação também tiveram que ser protegidos. “Agora, vamos ter que esperar a água baixar para podermos sair de casa”, conformou-se. “Estou tendo que segurar as crianças para que elas não entrem em contato com a água.”

Também em São José dos Pinhais, no Jardim Nemari, cem famílias tiveram que ser socorridas pelo Corpo de Bombeiros. Em Pinhais, diversas residências do Jardim Boa Vista foram invadidas pela água.

Temporal causa morte no litoral

Cintia Végas

Também choveu forte no litoral do Paraná. Em Paranaguá, a chuva, acompanhada de ventos bastante fortes, derrubou árvores, placas e um outdoor. Às 22h, um fio de alta tensão se rompeu e atingiu um homem, Nelson Roberto da Cunha Filho, de 44 anos, que morreu eletrocutado.

Segundo o Corpo de Bombeiros, toda a região central, além de diversas casas e estabelecimentos comerciais, ficou alagada. Diversos acidentes de trânsito foram atendidos pelo Siate.

Em Antonina, a central de rádio do Corpo de Bombeiros ficou fora do ar, pois o quartel foi atingido por um raio. Algumas casas foram destelhadas.