A iniciativa surgiu dos próprios alunos,
que criaram o grupo Orgulho da Raça.

Estudantes do Colégio Estadual Teotônio Vilela, localizado no bairro Campo Comprido, em Curitiba, têm uma disciplina inédita na grade curricular: cultura negra.

O objetivo é difundir a discussão e o resgate histórico da cultura negra no Brasil. “A preocupação da escola é mostrar aos alunos o direito de igualdade e oportunidade”, explica a pedagoga Maria José da Silva. Segundo ela, quase 40% dos 2.350 alunos do colégio são afro-descendentes. “Boa parte das crianças acaba vendo o negro de forma negativa, porque a história dele não foi contada de forma verdadeira, bonita. Os livros didáticos só relacionam o negro à escravidão”, lamenta.

Ela conta que a iniciativa de discutir e estudar a fundo a cultura negra surgiu dos próprios alunos. Em 1994, surgiu o grupo Orgulho da Raça, que se reúne periodicamente para a realização de trabalhos e troca de experiências. “Começamos a fazer a coleta de material, e pelo menos uma vez por ano fazemos uma grande apresentação para todo o colégio”, conta. No primeiro semestre, o professor de Educação Artística, Vagner Andrade Brandão, foi o coordenador dos trabalhos. Foram pesquisados temas variados como cultura afro, dança e luta, instrumentos e música, religião, culinária e roupas.

A estudante do terceiro ano do ensino médio Michele Mara Domingos, 21 anos, elogia a iniciativa da escola. “Estudei a minha vida inteira em colégios tradicionais, e eu só aprendia o que estava nos livros. Aqui eu me aprofundei na história do negro, o que ele fez pelo País, sua contribuição. É um trabalho de conscientização”, afirma Michele, que há quatro anos participa do Orgulho da Raça. A estudante Silvania Lanzarin, 19 anos, resolveu participar do grupo apenas este ano. “Conhecendo mais a história dos negros, o preconceito também diminui”, acredita. Filha de italianos e negros, Silvania conta que enfrenta o racismo na própria casa. “Minha avó italiana é muito racista, discrimina. É difícil ela entender que não há diferença entre brancos e negros”.