Cansados de esperar as verbas do governo do Estado, as escolas da rede estadual de ensino no município de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, organizaram um protesto, numa tentativa de pressionar o governo.

O ato está marcado para as 13h desta sexta-feira (6), com início em frente ao Colégio Estadual Desembargador Jorge Andriguetto. Os manifestantes seguirão por todas as 13 escolas envolvidas no protesto, até chegar à sede da prefeitura da cidade.

Banheiros do colégio estão em péssimas condições e não têm sequer mictório. (Foto: Colaboração/Álvaro da Fonseca)

Álvaro Antônio da Fonseca, diretor do Colégio Estadual Doutor Bayard Osna, conta que desde julho do ano passado a escola não recebe as devidas verbas. “O colégio estava no meio de uma reforma e, de repente, tudo parou, inclusive os serviços básicos de manutenção”, lembra. “Enquanto isso, sempre que precisávamos de algo, comprávamos fiado nos comércios da cidade, mas agora a escola já está sem crédito com os donos dos estabelecimentos”, contou Álvaro. Ao todo, as dívidas da escola já somam R$ 9 mil.

De acordo com ele, os pais vão até a escola exigindo explicações e os professores estão desmotivados a trabalhar. “E eu tenho que lidar com essa pressão toda como se a culpa fosse minha”, reclama.

As paredes das salas de aula do colégio estão com os tijolos à vista. (Foto: Colaboração/Álvaro da Fonseca)

Além da situação precária e decadente na estrutura da escola, os professores ainda têm que lidar com as más notícias que recebem desde o início do ano.

A mãe de um dos alunos do colégio procurou a redação do Paraná Online para relatar o descaso com o qual a escola está sendo tratada. Preocupada, ela conta que o piso está bem comprometido e as salas de aula estão todas quebradas, sem condições de uso para o ensino dos alunos.

Álvaro afirma que tem procurado a Secretaria da Educação (SEED) desde que os repasses foram cessados. “Eles sempre alegam que vão pagar no mês seguinte, mas, até agora, não recebemos nada”, reclama o diretor.

Quadra poliesportiva está com desnível e o piso quebrado, oferecendo risco aos alunos. (Foto: Colaboração/Álvaro da Fonseca)

Valores insuficientes

Em nota oficial, a SEED informa que, em relação aos repasses atrasados, é preciso aguardar definição da Secretaria de Estado da Fazenda (SEFA). Além disso, alega que a primeira parcela da cota normal de consumo do Programa Fundo Rotativo, no valor de R$ 4,2 milhões, foi creditada nessa terça-feira (3). Com ela, todas as escolas estaduais deveriam realizar a compra de materiais de consumo, como produtos de limpeza, lâmpadas e material de expediente.

De,sse valor, aproximadamente R$ 2 mil foram destinados ao Colégio Estadual Doutor Bayard Osna. Este dinheiro, que está disponível desde quarta-feira (4), deveria ser suficiente para fazer os últimos ajustes para a volta às aulas, que acontece na próxima segunda-feira (9), mas é quase cinco vezes menor do que as dívidas que a escola acumulou no período em que não houve repasse. Além disso, não há uma estimativa de quando os valores atrasados serão acertados.

“Não vai ter como reabrir para o retorno às aulas”, desabafou o diretor. “Sinceramente, já não sei mais o que fazer”.

Os professores também realizaram manifestação em São José dos Pinhais. Eles se reuniram pela manhã no centro da cidade e na noite desta sexta-feira (06), a categoria promete realizar uma vigília na frente da casa do deputado estadual Francisco Buhrer, para pedir ao parlamentar que vote contra o ‘pacotaço’ enviado pelo governo Beto Richa à Assembleia Legislativa.

Em São José dos Pinhais, os professores protestaram na frente da Catedral. Foto: Leonardo Coleto.

Professores afirmam que falta merenda para os alunos nas escolas. Foto: Leonardo Coleto.

Professores estiveram mobilizados no centro de São José dos Pinhais. Foto: Divulgação.
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