Além de se adaptar com os novos professores, colegas e conteúdo, estudantes de todas as idades terão, ainda, que enfrentar mais um aprendizado neste início de ano letivo: as mudanças ortográficas. Porém, as escolas pretendem lidar com essa novidade com muita cautela, afinal muitas regras da língua portuguesa que os jovens aprenderam até hoje foram modificadas com a reforma e as alterações não podem ser ensinadas de qualquer jeito.

É o caso das escolas estaduais. Keila Lima, do departamento pedagógico da Secretaria Estadual de Educação, diz que durante os anos de 2007 e 2008 a secretaria já orientou os professores durante os cursos de formação continuada.

“Nesses cursos nós tivemos discussões sobre diretrizes curriculares. E como desde 2007 os professores já perguntavam a respeito das mudanças ortográficas, nós já começamos a orientá-los nestes cursos”, explicou. A orientação dada aos professores é que não cobrem dos alunos as mudanças de forma ferrenha, segundo Keila, pelo menos até a adaptação total, que poderá levar alguns anos.

As escolas particulares também estão se preparando. Algumas já estão estudando como vão tratar o assunto com os alunos. No Colégio Nossa Senhora de Sion, em Curitiba, os livros didáticos já foram adaptados.

Segundo a coordenadora pedagógica do colégio, Maria Cristina Montingelli, as turmas que serão alfabetizadas vão aprender as novas regras facilmente, embora tenham que ser tratadas com mais cuidado. Já os adolescentes terão menos dificuldade, segundo ela.

“Para quem já está alfabetizado, as novas regras serão apresentadas gradativamente. Todos serão orientados de acordo com a maturidade que têm. Você não pode exigir que entendam as mudanças de uma hora para outra. Até porque a mudança total vai ocorrer em dez anos”, comentou.

No Colégio Expoente, as mudanças ortográficas foi tratadas em três frentes. A primeira abrange o material didático, que são atualizado gradativamente. A segunda trata dos professores. A gerente do Centro de Excelência Expoente, Marta Ubeda, diz que os professores assistirão a palestras antes do início das aulas.

“Duas professoras de português vão explicar para eles o porquê das mudanças, todo o histórico e a situação atual”, informa. A terceira ação do colégio é atualizar todo o conteúdo do portal. “No ano passado, nós já colocamos as mudanças no nosso site. Porém, sabemos que ainda estão sendo discutidas algumas divergências”, afirma.

Para Marta, as crianças vão aprender mais facilmente as mudanças, e os adolescentes vão precisar de um tempo maior para a adaptação, já que estão acostumados há mais tempo com as regras anteriores.

Na opinião de Keila, as mudanças foram necessárias e inevitáveis. “A língua é algo vivo, não temos como engessá-la.” Marta acredita que as mudanças vão causar um pouco de transtorno no início, mas diz que as elas serão assimiladas rapidamente. Já Maria Cristina recomenda muita paciência e perseverança por parte dos professores.

“Acho que as mudanças não vão causar um impacto tão grande, mas é preciso paciência e confiança”, comenta. A Secretaria de Educação de Curitiba foi procurada pela reportagem, mas a assessoria informou que ainda serão feitos estudos para definir como as mudanças serão repassadas aos educadores e, consequentemente, aos alunos.

Escolas públicas voltam à ativa durante fevereiro

Já na próxima segunda-feira, o movimento nas ruas de Curitiba deve ser maior em função do início do ano letivo 2009 nas escolas da rede municipal de ensino. Nelas, o retorno irá acontecer em sistema de escalonamento, até o próximo dia 11, de acordo com o calendário de cada uma das cerca de 180 instituições existentes (incluindo os centros de educação infantil).

Já nos 2137 colégios da rede estadual, as aulas só recomeçam no dia 9 para cerca de 1,4 milhão de estudantes. “As matrículas foram realizadas no ano passado e as turmas foram organizadas em janeiro, sendo que ainda devem acontecer alguns ajustes nos próximos dias. Na semana do dia 2, será realizada a distribuição de aulas e iniciado um processo de capacitação de professores, já realizado anualmente desde 2004.

Para 2009, também foram chamado mais 10 mil professores concursados, que devem começar a lecionar no dia 9″, comenta a secretária de Estado da Educação do Paraná, Evelize Arco-Verde.

Em Curitiba e nos municípios da região metropolitana, segundo informações do Sindicato dos Professores do Estado do Paraná (Sinpropar), são cerca de duas mil instituições de ensino particulares, entre escolas e universidades.

O início do ano letivo em cada instituição é variável, dependendo do calendário de cada estabelecimento. Porém, a maioria dos colégios deve retornar na segunda semana de fevereiro.

Pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), que define e regulariza o sistema de educação brasileiro, as instituições de ensino devem proporcionar duzentos dias letivos ou oitocentas horas-aulas a seus estudantes. (Cintia Végas).

Ações lembram sobre segurança no trânsito

Com a volta às aulas, o fluxo de veículos circulando pelas ruas aumenta consideravelmente. Devido a isso, a Urbs deve colocar em prática uma série de ações em Curitiba. Ao longo no mês de fevereiro devem ser realizadas blitze educativas em diversos pontos da cidade.

“Agentes de fiscalização da Diretran abordarão usuários das vias e fornecerão orientações básicas de segurança no trânsito”, diz a coordenadora da Unidade de Educação e Mobilização da Urbs, Maura Moro.

Todas as ações serão realizadas em conjunto com as escolas, com base em questões discutidas em reunião com as instituições realizada em dezembro. Entre as principais orientações estão ficar atento à sinalização, reduzir a velocidade para 30 km/h perto de colégios e ficar atento à faixa de travessia.

“Também vamos enfatizar o embarque e o desembarque, que deve ser realizado pela lateral da calçada. Outro problema grande são os pais que param em fila dupla para deixar seus filhos”, afirma Maura. Também em fevereiro serão retomadas as atividades da Patrulha Escolar.

Entre amanhã e o dia 7, a Patrulha realizará trabalhos com grupos de professores de diversas escolas. “Os agentes vão conversar com os professores sobre os delitos mais corriqueiros nas instituições e como deve ser o encaminhamento de determinadas situações”, diz a coordenadora operacional da Patrulha Escolar, Margarete Maria Leme. (CV)