A venda indiscriminada deantibióticos é um problema grave no Brasil. No País, a droga, que é de tarja vermelha, muitas vezes é comercializada sem receituário médico, confundida com anti-inflamatórios e consumida por pessoas que praticam automedicação ou aceitam indicação de outras que não são da área médica.

Segundo o infectologista Jaime Rocha, que atua no laboratório Frischmann Aisengart/DASA, em Curitiba, a venda indiscriminada pode gerar problemas não só às pessoas que utilizam antibióticos de forma inadequada, mas para toda uma comunidade. Isto porque as bactérias presentes no organismo das pessoas criam resistência aos medicamentos.

“Quando um paciente toma um antibiótico para matar determinada bactéria, acaba matando outras que se fazem presentes em seu organismo. Com isso, aumenta-se as chances de aquisição de resistência à droga”, afirma. “Além disso, há proliferação das bactérias na comunidade. Como as pessoas estão trocando bactérias o tempo todo, o uso indiscriminado pode fazer com que indivíduos que nunca tomaram antibióticos também tenham bactérias resistentes a eles”.

Os antibióticos também podem causar uma série de efeitos colaterais, como alergias, diarreias e problemas neurológicos. Por isso, pessoas que os utilizam sem orientação médica podem estar se expondo a riscos desnecessários. “Elas podem estar tomando um medicamento de forma inadequada ou do qual não necessitam”, diz.

Com o objetivo de tentar evitar o consumo desnecessário, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pretende tornar obrigatória a apresentação de duas vias da prescrição médica na hora da compra de antibióticos, a exemplo do que já acontece com alguns remédios de tarja preta.

Além disso, seriam feitas adequações e regulagens nas bulas dos medicamentos. Todas teriam que conter a informação: “Venda sob prescrição médica Só pode ser vendido com retenção de receita”.

“Realizamos uma consulta pública, número 58/2010, sobre o assunto. A intenção é ouvir a população antes da publicação de uma norma final. Ainda pretendemos ampliar a discussão sobre o assunto ouvindo profissionais e entidades das áreas médica e farmacêutica”, informa a especialista em regulação e vigilância sanitária da Anvisa, Flávia Neves Rocha Alves.

Na opinião do vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Paraná, Dennis Armando Bertolini, a medida deve minimizar a venda indiscriminada, mas não impedir totalmente que ela aconteça.

“Além da apresentação das duas vias, é preciso que a população entenda que não pode tomar antibióticos sem orientação médica. Infelizmente, no Brasil, assim como em outros países do mundo, a automedicação é um problema bastante grave”, declara.

Dennis associa a automedicação e a venda indiscriminada ao não cumprimento da norma de que todas as farmácias devem contar com a presença de um farmacêutico. No Paraná, segundo ele, 96% dos estabelecimentos têm a presença do profissional.