As rodovias federais que cortam o Paraná possuem 111 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes. É o que revela o mapeamento realizado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) com apoio da Childhood Brasil, da Secretaria de Direitos Humanos e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), referente a 2011 e 2012. O estudo foi divulgado ontem, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, e revela uma redução de 33,9% em relação ao levantamento de 2009 e 2010, quando foram identificados 168 locais vulneráveis nas BRs do Estado.

A definição de pontos críticos não significa que a exploração sexual se consolide nestes locais, porém são grandes as chances de que isso aconteça. Além disso, as áreas mais críticas não são amplamente divulgadas, evitando que o abuso troque de lugar. Para combater a prática, a PRF realiza neste final de semana uma operação especial de sensibilização e repressão direcionada a hotéis, motéis, lanchonetes e estabelecimentos na beira da estrada, reforçado o alerta contra a violência a crianças e adolescentes. A pena para o crime é de até 12 anos de prisão. “Vamos intensificar a campanha, mostrando como as pessoas podem identificar os casos e a quem recorrer”, afirma o inspetor da PRF no Paraná, Wilson Martines.

Aliados

Entre outras situações, é possível observar a exploração quando crianças e adolescentes entram ou saem de veículos parados próximos às rodovias em situação suspeita. Nestes casos, a denúncia deve ser feita ao Disque Denúncia Nacional, Disque 100. “É muito importante, pois é a partir da denúncia que se elaboram as políticas públicas. Também é possível fazer a diferença trabalhando preventivamente, em especial na área de educação e saúde”, ressalta a coordenadora do diagnóstico do Programa Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto-juvenil no Território Brasileiro (Pair) em Curitiba, Jandicleide Evangelista Lopes.

Os caminhoneiros são aliados especiais no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. “Eles estão nas rodovias todos os dias. São grandes agentes, que podem identificar, denunciar e também replicar a outros caminhoneiros”, avalia Rosana Junqueira, coordenadora de programas da Childhood Brasil, que faz a mobilização com profissionais da estrada. A organização estuda possibilidade de estender o mapeamento de pontos vulneráveis realizados com a PRF às rodovias estaduais em todo o País.