A população curitibana é composta por pessoas de diversos sotaques e culturas. Além dos próprios brasileiros – vindos de todas as regiões do País -, a cidade abriga um grande número de estrangeiros. Segundo o delegado responsável pela Delegacia de Imigração de Curitiba, Maurício Leite Valeixo, é difícil saber ao certo o número de pessoas vindas de outros países que vivem na capital. Isso porque, como acontece em todos os locais do Brasil, existem muitos estrangeiros que se mantêm na cidade sem registro, de forma ilegal.

Registrados, vivem na área de circunscrição da delegacia – que abrange, além da capital, cidades como Castro, Ponta Grossa, São Mateus do Sul e outros municípios do interior do Paraná – cerca de 3,5 mil pessoas, de várias nacionalidades.

São diversas as correntes imigratórias dentro de Curitiba. As mais antigas são originárias de países como Alemanha, Polônia e Itália. Já as mais recentes são da China e da Coréia – esses povos começaram a chegar em grande quantidade à cidade, e ao Brasil como um todo, nos últimos dez anos.

Em geral, os estrangeiros vêm atraídos por laços familiares, muitas vezes já tendo parentes estabelecidos há muito tempo no Brasil; por motivos de trabalho, com visto e condições estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; e para estudos, dentro dos chamados intercâmbios culturais. “Muitos ficam por um tempo e retornam a seus países. Outros acabam se casando por aqui, estabelecendo família e ficando de forma permanente”, explica Valeixo. “No Brasil, o grande processo imigratório acontece nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, mas os imigrantes também influenciam os curitibanos com sua cultura e mão-de-obra especializada.”

Superadas as dificuldades idiomáticas e apesar da fama de fechados dos curitibanos, os estrangeiros que chegam a Curitiba costumam se adaptar rapidamente à cidade. É o caso do professor de Bioquímica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Philip Goren, de 72 anos, que nasceu na Inglaterra e está na capital há cerca de vinte anos.

Ele veio ao Brasil para trabalhar e revela que ficou bastante impressionado com a qualidade das pesquisas desenvolvidas na área de Bioquímica na cidade. Como morou um tempo no Rio de Janeiro antes de vir para o Paraná, já chegou na região relativamente adaptado aos hábitos brasileiros e ao português. “No começo, eu assistia a muita televisão e foi assim que comecei a entender o idioma dos brasileiros. Tive um pouco mais de dificuldade para falar”, lembra. “Acho as pessoas em Curitiba muito gentis e já me adaptei à vida na cidade. Casei e formei família na capital do Paraná.”

Paixão

O também inglês Ian Blasdale, de 27 anos, está há 16 meses em Curitiba. Há alguns anos, quando estava nos Estados Unidos, ele conheceu uma moradora curitibana e acabou se apaixonando. Os dois se casaram em 2002 e vieram morar na cidade.

Ian passou a dar aulas de inglês e já se acostumou com o ritmo de vida da capital, embora ainda tenha algumas dificuldades com o português. “Aprecio muito o clima frio de Curitiba e gosto bastante de viver na cidade”, afirma. “No Brasil, gosto muito das pessoas, do churrasco e do futebol.”