A fiscalização de locais com acúmulo de resíduos sólidos – nos quais se forma a maior parte dos criadouros do mosquito da dengue – será um dos principais pontos da estratégia de combate à doença no Paraná nos próximos meses. O assunto foi discutido nesta sexta-feira (18) durante o 1° Encontro Macrorregional de Saúde e Dengue, realizado em Londrina pela Secretaria de Estado da Saúde. O evento reuniu representantes de 124 municípios, que concentram 80% dos casos de dengue no Estado. As regiões Norte, Noroeste e Oeste são consideradas de alto risco para epidemia de dengue.

De acordo com dados do Programa Estadual de Controle da Dengue, 44% dos criadouros do mosquito formam-se em locais com acúmulo de resíduos sólidos (lixo) e 14% em pneus. A recomendação da Secretaria da Saúde é para que os municípios cadastrem todos os depósitos de material reciclável e agendem visitas quinzenais a esses locais.

“Outra estratégia é a limpeza periódica de galerias de águas da chuva (calhas), para que não se tornem ambientes propícios à proliferação do mosquito transmissor”, disse o coordenador de Vigilância sobre o Meio da secretaria, Celso Rúbio.

A médio e longo prazos os municípios terão de estruturar planos de resíduos sólidos, integrados com as políticas nacionais de Resíduos Sólidos e de Saneamento Básico. “Só com a gestão correta destes resíduos diminuiremos a proliferação do mosquito transmissor da dengue e de outras doenças”, destacou Rúbio.

RESPONSABILIZAÇÃO – “O momento é de responsabilização do cidadão, dos empresários e principalmente dos gestores. Para isso precisamos de ouvidorias preparadas, comitês de mobilização e conselhos municipais atuantes”, enfatizou o secretário da Saúde, Michele Caputo Neto. Ele também destacou a parceria com o Ministério Público (MP) no enfrentamento da dengue.

O promotor da Proteção de Saúde Pública de Londrina, Paulo Tavares, afirmou que o cidadão que deixar o lixo a céu aberto comete crime contra a saúde pública. Para ele, precisa haver uma responsabilização destes cidadãos que descumprem a lei. “O Ministério Público cobra do poder público para que faça a sua parte, porque se não fizermos agora o dever de casa, não conseguiremos controlar a dengue”, disse.

Para a promotora de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, Solange Vicentin, a questão ambiental é o principal assunto do século, pois afeta diretamente a vida das pessoas. “Crescemos na cultura de que o lixo é problema da prefeitura, mas é de todos nós”, disse. Ela defendeu que o plano de gerenciamento de resíduos de cada município esclareça quem deve ser responsabilizado pela destinação de cada tipo de resíduo.

AÇÕES – Até abril deste ano a situação da dengue no Estado foi tratada em caráter emergencial pelo Governo do Estado. “Investimos na capacitação dos agentes de endemias e dos profissionais da assistência à saúde para o diagnóstico e tratamento da dengue”, disse o secretário. O Estado também repassou recursos para os municípios em situação de epidemia. “A maioria dos municípios prioritários já está estruturada. Mas apesar de os números estarem melhores do que no ano passado, não podemos nos acomodar”, ressaltou Caputo Neto.

O governo estadual também vem investindo na modernização das regionais de saúde, com a substituição da frota de veículos e aquisição de computadores. Os novos veículos serão utilizados, em sua grande maioria, para o combate à dengue.

VERÃO – Com a chegada do verão, a tendência é que os casos da doença aumentem. Por isso a Secretaria da Saúde recomenda que os municípios intensifiquem a operação de limpeza, por meio da mobilização social. Neste sábado (19) será realizado o dia “D” de combate à dengue em todos os municípios do Paraná. A Secretaria da Saúde distribuiu 2 milhões de panfletos e 500 mil de cartazes da nova campanha, baseada no slogan “Abra a porta para o combate à dengue”.

SITUAÇÃO – Em 2011 o número de notificações cresceu muito. Foram confirmados mais de 29 mil casos da doença e 14 pessoas morreram. “Com a implantação da Sala de Situação da Dengue as nossas notificações passaram a ser em tempo real”, explicou o superintendente de Vigilância em Saúde, Sezifredo Paz.

O Programa Estadual de Controle da Dengue, lançado este ano, prevê a responsabilização, a estruturação dos serviços municipais e estaduais e a atuação o ano inteiro. “O cidadão precisa entender que a dengue não é uma doença benigna e que as podem ser evitadas”, disse Sezifredo Paz.

Ele destacou que as ações de prevenção devem ser intersetoriais, com a formação de comitês municipais de mobilização. “Precisamos abrir a porta para o combate à dengue, como diz a nova campanha de mobilização”, disse. Ainda é grande o número de residências que não são vistoriadas pelos agentes. Segundo Paz, cabe à gestão municipal manter as equipes de agentes de endemias durante todo o ano e não dar férias coletivas no período de maior risco.

Também participaram do encontro o deputado estadual Luiz Eduardo Cheida e o major Luiz Alberto Bueno Cândido, da 3ª Coordenadoria Regional de Defesa Civil.