Em menos de duas décadas, a população brasileira atingirá o ápice 206,8 milhões de habitantes, porém, estará longe de ser um País jovem como ficou conhecido ao longo de várias décadas.

A conclusão é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que, ontem, divulgou suas análises de tendências demográficas baseadas nos números da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad) 2009, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em setembro deste ano.

Pelas constatações do Ipea, se as taxas de fecundidade forem mantidas em 1,8%, percentual de 2009 que é abaixo do nível de reposição, de 2,1%, a partir de 2030, o Brasil começará a verificar um decréscimo no número de habitantes e uma completa inversão na composição dos grupos populacionais.

“Vamos passar por novos desafios”, comenta a coautora do estudo e assistente de pesquisa do Ipea, Solange Kanso. Segundo o Ipea, somente os grupos com idade acima de 45 anos vão crescer.

O estudo aponta, ainda, que o Brasil caminha aceleradamente para um superenvelhecimento a exemplo de países da Europa Ocidental, Rússia e Japão. “Estamos com uma bomba que poderá explodir em 2030 se não fizermos reformas estruturais significativas. Mais do que nunca a sociedade precisa exigir dos candidatos à presidência uma postura clara quanto ao futuro da Previdência Social, por exemplo, e cobrar soluções contundentes”, pontua o coordenador do curso de Economia da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Carlos Magno Bittencourt.

Além do natural aumento no déficit da Previdência Social por conta da inversão entre o número de contribuintes e o número de segurados recebendo o benefício, outro risco que o estudo sinaliza é o da estagnação econômica.

“Precisamos rapidamente rever políticas públicas para atender ao novo perfil da população brasileira, bem como mudar a mentalidade que, ainda, impera em vários setores da sociedade quanto à seleção de pessoas com idade acima de 45 anos”, recomenda Bittencourt.

Vale destacar que, pela avaliação do Ipea, será justamente o grupo populacional com idade superior a 45 anos que vai responder por 56,3% da futura População em Idade Ativa (PIA).

As projeções para 20 anos confirmam o que os números atuais já sinalizam. Enquanto, em 1940, a população idosa (com 60 anos ou mais pelo critério da Pnad) respondia por 4,1% do total, hoje, os idosos representam 11,4% dos brasileiros.

O contingente, em valores absolutos, aumentou de 1,7 milhão para 21,5 milhões. Em contrapartida, a população jovem, menor de 20 anos, já está diminuindo. A PIA revelou que o grupo jovem de 15 a 29 anos atingiu seu pico em 2000 e já está em declínio.

A previsão, se as taxas de fecundidade não aumentarem, é de que a participação desse grupo estratégico do ponto de vista econômico, a partir deste ano, decline substancialmente.

“A PIA dá conta de um cenário temeroso com a instalação de um ciclo vicioso de estagnação. O Brasil poderá vir a importar mão de obra para suprir alguns segmentos da economia”,aponta Bittencourt.