Foto: Walter Alves

Sul:  baixa abstinência.

A população da região Sul é a que bebe com mais freqüência se comparada às demais regiões do País. É o que revela um estudo feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), divulgado ontem. No Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, 11% das pessoas entrevistadas declararam que bebem todos os dias e 25% admitiram beber de uma a quatro vezes por semana. O número de abstinência também é o menor de todos: enquanto nas outras regiões do País gira por volta de 50%, no Sul é de apenas 35%.

Esta é a primeira vez que um estudo mediu a intensidade do consumo de bebidas no Brasil. A pesquisa revelou que o número de pessoas que bebem todos os dias na região Sul é quase o dobro das regiões Sudeste e Centro-Oeste, que ficaram em segundo lugar com 6% da amostra. A região Nordeste é a que apresentou o menor índice, 3% e a Norte ficou com 4%.

O número de pessoas que bebem com freqüência na região Sul, de uma a quatro vezes por semana, também é maior. Os estados do Sul registraram 25%, ficando em segundo lugar a região Nordeste, com 21%. Outro dado preocupante é que no Sul apenas 35% declaram abstinência, enquanto a média nas demais é de 50%, sendo a maior no Norte: 54%.

Porém há um lado positivo: a região Sul foi a que apresentou a menor ingestão de álcool por vez. Apenas 4% das pessoas disseram beber 12 ou mais doses num único dia. Já a região Nordeste foi a campeã, registrou 13%. Além disso, no Sul, 66% das pessoas disseram parar na segunda dose, ficando o Sudeste em seguida com 50%.

O estudo também mostrou a diferença entre homens e mulheres. Eles apresentam índice de abstinência menor do que o delas (35% para homens e 59% para elas). Os homens também costumam beber com maior freqüência e em quantidade maior. No último ano, 38% deles consumiu mais de cinco doses, contra 17% delas.

Um dado alarmante da pesquisa é que 28% dos brasileiros já beberam em ?binge?, o que significa beber em um curto espaço de tempo até ficar embriagado. Esse tipo de consumo é mais comum entre os jovens na faixa etária de 18 e 34 anos.

A pesquisa também mostrou o consumo entre os adolescentes, mas não distinguiu dados entre as regiões. Uma boa parte começa a beber entre os 14 e 17 anos. Além disso, 13% das adolescentes e 17% dos meninos apresentaram um padrão intenso de consumo. 10% disseram beber uma vez ao mês em quantidades arriscadas.

De acordo com o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, a divulgação da pesquisa marca o início das ações da Política Nacional sobre o Álcool sancionada em maio por decreto. O levantamento foi feito entre novembro de 2005 e abril de 2006 e foram realizadas 3.007 entrevistas, sendo 2.346 adultos com mais de 18 anos e 661 adolescentes entre 14 e 17 anos, em 143 municípios de norte a sul do País.