A Polícia Federal prendeu na segunda-feira (20), um ex-estagiário de uma das Varas Previdenciárias da Justiça Federal de Londrina por suspeita de acessar ilegalmente o processo criminal da Operação Spectrum, que prendeu o traficante Luiz Carlos da Rocha, conhecido como “Cabeça Branca”.

O rapaz foi preso sobre fortes suspeitas que indicam a quebra de sigilo funcional para beneficiar a organização criminosa voltada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro. De acordo com o despacho que determinou a sua prisão, o rapaz forneceu seu login e senha do sistema e-proc da Justiça Federal para uma organização criminosa de grande porte, chefiada por Luiz Carlos da Rocha.

A ligação com o mega traficante seria através da filha do criminoso, da qual o ex-estagiário seria namorado. O login e a senha também foram utilizadas pelo outro filho e pela nora do traficante, em um hotel de Londrina. Por isso, a Justiça autorizou a busca e apreensão no apartamento do casal, no bairro Gleba Palhano.

Segundo o advogado Fábio Ricardo Mendes Figueiredo, que defende o filho e a nora de Cabeça Branca, se os dois acessaram o processo envolvendo Cabeça Branca não foi com objetivo de obstruir a Justiça, mas sim por ansiedade de acompanhar o processo.

A Justiça autorizou também a quebra de sigilo telemático – que envolve telefones celulares e outros equipamentos eletrônicos – que identificou também acessos ilegais ao processo feitos em Catanduvas, cidade onde Cabeça Branca está Preso, outros estados e até mesmo no Paraguai.

Operação Spectrum

Luiz Carlos da Rocha, o “Cabeça Branca”, é apontado pela Polícia Federal como um dos maiores traficantes do Brasil. Ele estava foragido da Justiça havia 30 anos e foi detido em Mato Grosso em julho deste ano. Ele está preso na Penitenciária Federal de Catanduvas, no oeste do Paraná.

As investigações apontaram que o grupo liderado por Cabeça Branca usava caminhões carregados com soja para transportar as drogas. O dinheiro obtido com a venda da cocaína era lavado em fazendas, onde as drogas eram escondidas. Ainda de acordo com a Polícia Federal, Cabeça Branca mantinha duas casas, uma em Sorriso, no Mato Grosso, e outra em Osasco, na Grande São Paulo, usando identidades falsas.

As investigações apontaram que o criminoso usava o Porto de Santos (SP) para exportar drogas para a Europa e os Estados Unidos e tinha mais influência que outros traficantes, como Fernandinho Beira-Mar e Juan Carlos Abadia.