Três funcionários do Museu de História Natural de Curitiba tiveram em seus exames de sangue a confirmação da presença da substância química arsênico. A denúncia foi feita pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc). De acordo com o órgão, os servidores trabalham no prédio da administração do museu, no Capão da Imbuia. No local estão guardadas peças antigas de animais conservados em que um dos componentes utilizados para a taxidermia (técnica para empalhar) era o arsênico.

Segundo Eduardo Recker Neto, diretor do Sismuc, em uma visita rotineira foi observado que os funcionários apresentavam sintomas como dor de cabeça e enjoo. O sindicato acionou a Vigilância Sanitária, que, em inspeção no local, confirmou a presença de altos níveis de arsênico no local de trabalho dos servidores. “Conversando com os servidores, percebemos que eles estavam com problemas de saúde e, ao que tudo indicava, alguma coisa no local de trabalho estava causando esses problemas. Foi aí que tomamos a providência de chamar a Vigilância”, conta Recker.

De acordo com o Sismuc, uma servidora do Museu de História Natural, que já havia tido câncer em 2003, está novamente com suspeita da doença e um laudo médico recente apontou a presença de arsênico no sangue da funcionária, com uma dose 45% superior ao tolerável.  

A Tribuna entrou em contato com os funcionários citados na denúncia. Mas eles afirmaram que os servidores do museu receberam ordens da Secretaria Municipal de Meio Ambiente para não dar entrevistas e foram avisados que qualquer pronunciamento em relação ao caso seria feito apenas pela diretoria do órgão.

Prefeitura muda local de trabalho dos servidores

Em nota, a prefeitura de Curitiba afirma que apenas uma servidora apresentou alteração no exame de urina realizado, com 51,9 microgramas por grama de arsênico no organismo. Este índice, diz a nota, é cerca de 4% acima do considerado tolerável pela legislação brasileira.

De acordo com a prefeitura, nos dias 12 e 26 de junho deste ano foi realizada uma inspeção no prédio de administração do Museu de História Natural, na qual foi detectada presença de produtos químicos, entre eles o arsênico, e que, por disso, os servidores que trabalham nesse prédio foram realocados temporariamente para a biblioteca do museu, até que seja providenciado um ambiente de trabalho definitivo para eles.

A prefeitura informa ainda que investiga se é possível relacionar a presença levemente elevada de arsênico na urina da servidora à sua situação ocupacional e ressalta que não é possível determinar que o ambiente de trabalho seja a causa de doenças apresentadas por outra servidora, que trabalha há 20 anos e teve câncer duas vezes. Isto porque, conforme a nota, os exames periódicos dessa servidora, realizados em 27 de junho de 2012, deram um índice de 9,8 micrograma por grama para arsênico.