Foto: Valquir Aureliano/O Estado

 Nos shows, público deve evitar ficar perto das caixas de som.

Muitos jovens podem chegar à terceira idade com a audição comprometida por causa da constante exposição ao barulho. O som alto das danceterias, shows e alto-falantes dos carros, por longos períodos, pode ocasionar perdas auditivas e até mesmo lesões no ouvido interno. Moderação é a palavra-chave para que os jovens não desenvolvam problemas como esses.

O professor de otorrinolaringologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e médico do Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (IPO), Marcos Mocellin, explica que o som muito alto por um longo período, como ficar em um show ao lado de uma caixa acústica, pode causar perdas de audição irreversíveis. Barulhos prolongados acima de 80 decibéis já podem afetar o ouvido dessa forma. Ele conta que muitos músicos de bandas apresentam o problema, alguns inclusive com seriedade, porque ficam sob o barulho constante devido aos shows seguidos. Para Mocellin, os aparelhos de walkman, discman e mp3 não causam a perda de audição diretamente. Tudo depende da altura do volume da música.

Quando as pessoas notam um zumbido no ouvido após ficarem sob um barulho intenso e prolongado, devem procurar um médico especializado. "Fazemos uma audiometria para saber se houve queda de audição. Caso seja confirmada, tem que parar com o som alto. Não tem outro jeito. Peço para os jovens prestarem atenção nas pessoas mais velhas que possuem problemas graves de audição, para saberem como podem ficar", explica Mocellin.

O médico afirma que a única maneira de evitar perdas de audição é estar em um ambiente com sons em níveis moderados. Caso não tenha conseguido escapar dos barulhos altos, a pessoa deve dar um "descanso" para o ouvido, evitando-os no dia seguinte.

A orientadora familiar e coordenadora do Movimento Familiar A Voz do Silêncio, Erica Maria Maestri, diz que os parentes não percebem facilmente a redução auditiva dos jovens. Acreditam que seja uma mania colocar o som no volume mais alto. "A família precisa ficar atenta, mas normalmente não faz idéia do que esteja acontecendo. Quem ouve som alto acostuma com aquilo e acha que é um volume normal. Passa a ser um hábito", comenta. Erica diz que, nesses casos, os momentos de silêncio passam a incomodar. A orientadora revela que os jovens também podem ser influenciados pelo barulho no ambiente de trabalho. A soma deste fator com a música alta em danceterias e shows pode potencializar possíveis perdas. "Nem todo mundo que ouve som muito alto vai ter rebaixamento de audição. Mas existe uma predisposição", ressalta.