Pais e alunos da Escola Estadual Ipê, localizada na Rua Pedro Ribaski, em São José dos Pinhais, protestaram durante a manhã de ontem contra a falta de condições de ensino do estabelecimento. Segundo denúncias dos manifestantes, o colégio está com déficit de carteiras, lanche, livros para a biblioteca e computadores.

Jurema de Almeida Santos, mãe de uma das alunas da escola, conta que o ensino não tem qualidade. ?Nossos filhos estão sendo tratados pior que cachorro?, avalia. Ela afirma que não há qualquer tipo de segurança no lugar. ?Qualquer pessoa pode entrar no local, inclusive pulando o muro. A zeladora, às vezes, precisa deixar de fazer a limpeza e outros deveres para ficar no portão impedindo a entrada de estranhos?, revela.

As aulas de Educação Física são realizadas em uma quadra fora da escola, na mesma rua onde está situada, já que existe apenas um pátio pequeno dentro das dependências. ?Nós já não estávamos gostando disso. Piorou ainda mais quando teve um tiroteio perto da cancha. Os nossos filhos tiveram que se abaixar e ficar no chão para não serem atingidos?, comenta Jurema.

Além disso, a quantidade de carteiras nas salas são insuficientes, de acordo com ela. Muitos alunos precisam sentar no chão para assistir as aulas. ?As crianças também não têm computadores para estudar e faltam livros na biblioteca?, relata Jurema. Ela também enfatiza que a merenda da escola não é servida todos os dias. ?É servido macarrão branco (sem molho), sopa e, de vez em quando, algumas bolachas?, aponta. Jurema diz que o protesto não é contra os funcionários e professores da escola. ?Se a situação não melhorar logo, faremos um abaixo-assinado e entregaremos para todo mundo que for possível?, promete.

Mais estrutura

Conforme a diretora-presidente da Fundepar, Sandra Berenice Ferrari Turra, a construção de um novo colégio no local, com 2,8 mil metros quadrados, deve ter início ainda este ano pelo Programa de Expansão, Melhoria e Inovação do Ensino Médio do Paraná (Proem). O recurso para isso consta do orçamento do Estado. Parte do dinheiro viria do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Para a liberação do dinheiro, o BID exige examinar previamente os editais de licitação. ?Eles já foram encaminhados, restando apenas o BID mandar a sua não objeção, para publicarmos os editais e começarmos a obra?, revelou.

A previsão é 300 dias para o término da escola, que contaria com 16 salas de aula comuns, laboratórios de química, física, biologia e informática, biblioteca, quadra de esportes cobertas e casa para zelador. O total do investimento será de R$ 1.290.933,77. ?Mais de 40% desse valor será investido em equipamentos, como carteiras, bancadas para computadores, livros para biblioteca, etc.?, explicou.

Segundo a nutricionista Márcia Cristina Stolarski, chefe do Departamento de Apoio Escolar da Fundepar, a falta de merenda deve ser um caso pontual, já que a Fundepar encaminhou alimentos suficientes para a escola. ?Vamos verificar isso e se realmente existir o problema vamos resolvê-lo amanhã (hoje)?, destacou.