Sem sair de onde vivem ou trabalham, os moradores e comerciantes da Rua Ministro Gabriel Passos, no Jardim das Américas, há uma semana foram exilados da própria rotina com as mudanças viárias causadas pela liberação do tráfego do viaduto estaiado. A estrutura criada para ligar o Cajuru ao Jardim das Américas e o Uberaba e à Vila Hauer acabou separando pessoas adaptadas com caminhos feitos durante toda uma vida, resultando queda no movimento de comerciantes e combustível desperdiçado na readaptação às novas rotas.

Um dos mais inconformados é o aposentado Jorge Zimermann Hey. Ele reside no mesmo endereço há mais de 40 anos e do dia 12 para cá vem percorrendo distância até quatro vezes mais longas. “Minha sogra possui multifalência dos órgãos, respira com aparelhos e depende de cuidados médicos. Tenho medo que em uma emergência a ambulância demore muito a chegar, porque não se preocuparam em dar uma orientação adequada”, critica.

“Passamos dois anos sofrendo com as obras do viaduto, e agora que liberou segue o transtorno”, reclama. “A rua só desce em direção ao viaduto, preciso dar um volta enorme para voltar aqui”, recorda.

O impacto da dificuldade das pessoas em se orientar foi percebido pela proprietária do Bar San Remo, na esquina com a Rua Joaquim Silveira da Motta. Comerciante há 50 anos, Maria de Lourdes Rosa diz que caiu em 90% o movimento. “Minha principal clientela desse lado da rua são os funcionários da Electrolux, só que com a Gabriel Passos só descendo, eles não passam mais por aqui. Até porque todo mundo está se perdendo para achar os mesmo caminhos”, desabafa.

O diretor de engenharia da Secretaria de Trânsito de Curitiba (Setran), Maurício Razera, explicou que o término das obras do entorno estão previstos para o final de maio e que até lá algumas dificuldade são inerentes à obras. Quanto à falta de orientação o aumento do tempo para realizar certos trajetos, ele falou que o referido trecho da Rua Ministro Gabriel Passos pode ser acessado em pouco minutos novamente se a pessoa dobrar na Rua Bandeirantes. “Não acho que faltou comunicação, pois eles testemunharam a obra acontecer ao longo de dois anos”, ponderou.