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As obras emergenciais teriam custado cerca de R$ 6 milhões aos cofres
públicos, mesmo valor previsto
para os próximos trabalhos.

Diretores e técnicos do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), alguns vindos de Brasília (DF), reuniram-se ontem, em Curitiba, para definir o plano de trabalho do novo prazo emergencial nas obras da ponte sobre a represa do Capivari, na rodovia Régis Bitencourt, que desabou em janeiro. Mas a reportagem de O Estado apurou que o encontro também serviu para acertar os pagamentos das duas empreiteiras contratadas sem licitação em janeiro para as obras emergenciais, que ainda não teriam sido pagas.

De acordo com um engenheiro de uma das empresas, que pediu para não ser identificado, a falta de pagamento teria sido um dos motivos para a paralisação das obras por aproximadamente um mês, em junho.

As primeiras obras emergenciais teriam custado cerca de R$ 6 milhões, mesmo valor previsto para os próximos trabalhos. As duas empreiteiras encarregadas dos novos trabalhos são as mesmas que operam no local desde que a ponte desabou. Até o fechamento desta edição, a reunião não havia terminado e, possivelmente, tivesse continuação ainda hoje pela manhã. Porém a reportagem apurou que os trabalhos devem ser divididos em três partes. O primeiro deles é reforçar o pilar da ponte que desabou, já que a terra continua se deslocando em direção à represa, empurrando a estrutura que continua de pé. Depois serão feitas obras para contenção definitiva do maciço do solo da ponte que desabou e então reforço na contenção da cabeceira da ponte que continua funcionando.

No último dia 26 de julho, o DNIT aprovou o projeto de reconstrução da via. De acordo com a fonte ouvida por O Estado, o órgão acertou em reconstruir, no lugar dos 80 metros de ponte que desabaram, 120 metros, evitando a encosta da represa e garantindo que o término da ponte esteja em terreno firme. De acordo com o engenheiro, essa economia de recursos na ponte original foi crucial para o desabamento. Mesmo a ponte que continua de pé deveria ter sido construída com o vão maior. O engenheiro não afastou a hipótese de a cabeceira dessa estrutura também ceder. Mas garantiu que o deslocamento de terra no local está sendo monitorado para evitar outra tragédia.

A reportagem tentou ouvir o DNIT sobre as obras na ponte, mas foi informada que todos os responsáveis estavam incomunicáveis, participando da reunião. O órgão deve se manifestar hoje.