Na sociedade atual, o modelo básico de família, composto por mãe, pai e filhos, não é mais o único a existir. O assunto vai ser tema de um debate, no próximo dia 19, no auditório do Sesc Centro, em Curitiba. O evento, que deve contar com a participação de representantes da sociedade em geral, será coordenado pelas psicólogas e terapeutas Mariza Bregola de Carvalho e Vera Maria Carvalho Faria.

Mariza explica que, por muitos séculos, as famílias brasileiras tinham o modelo patriarcal, onde a função de pais e mães eram muito bem definidas. A partir do início do século XX, uma série de mudanças começaram a acontecer. O divórcio se tornou legal, as mulheres entraram para o mercado de trabalho e tiveram à sua disposição a pílula anti-concepcional, que lhes deu a liberdade de escolher o momento da chegada dos filhos. “Com isso, a mulher passou a ter independência financeira, também se tornando provedora. Novos modelos de família começaram a existir”, revela.

Entre alguns modelos percebidos na sociedade atual estão: os monoparentais, onde os filhos são criados por um único genitor – ou o pai ou a mãe – devido ao divórcio, gravidez fora do casamento ou opção de assumir uma criança de forma independente; intergeracionais, onde os avós moram com os filhos e netos; recasamento, quando o homem e a mulher, ou apenas um membro do casal, já teve um casamento anterior e filhos desta relação, que passam a também serem assumidos pelo parceiro atual; fraternos, quando os filhos mais velhos assumem a responsabilidade pelos irmãos mais novos, assumindo o lugar dos pais; e uniões homossexuais, com ou sem filhos, adotivos ou não.

Preconceito

Segundo Mariza, a principal dificuldade dessas famílias é encontrar referências ou padrões de comportamento aos quais possam se apoiar. Porém o preconceito contra esses novos modelos de família ainda é grande. Muitas pessoas, até por influências religiosas, ainda enxergam o casamento como algo indissolúvel, olhando com maus olhos quem não possui uma família no modelo tradicional. “Muitas vezes, quando uma criança apresenta problemas de comportamento ou aprendizado, as pessoas, antes de fazerem uma avaliação da situação, já dizem que ela está mal porque os pais são divorciados, porque a mãe é adolescente e não sabe criá-la ou porque vive com casais homossexuais?, afirma. “Os integrantes dos novos modelos de famílias acabam precisando superar uma série de barreiras e dificuldades.”

Serviço – Ciclo de debates sobre família na atualidade. Data: 19 de agosto. Horário: 19h. Local: Sesc Centro. Contato: (41) 233-7422, ramais 100, 102 e 103.