A Companhia de Habitação (Cohab) de Curitiba começou ontem a relocação de 33 famílias que ocupam a margem do Rio Atuba, no Cajuru. Elas estão sendo transferidas para casas construídas em um loteamento criado pela Cohab no mesmo bairro.

As famílias vivem na área conhecida como Vila Agrícola, uma das sete vilas de ocupação irregular existentes no bolsão atingido pelo projeto da Prefeitura. O bolsão é delimitado pelo Rio Atuba e pela via férrea, desde a Avenida Affonso Camargo até a BR-277, alcançando cerca de 5 mil moradores.

As novas casas onde as famílias estão sendo assentadas têm entre 26 e 30 metros quadrados e oferecem opções de ampliação no futuro. Os moradores assinaram contrato com a Cohab e terão um ano de carência para começar a pagar as prestações.

O pintor Osney Oliveira Schneider e sua mulher Elaine de Fátima foram os primeiros a mudar para as casas. Eles aproveitaram o período de carência das prestações para fazer melhorias no imóvel, colocando piso cerâmico e calfinando as paredes. Elaine quer aumentar a casa e construir mais dois quartos, uma copa e churrasqueira. “A sensação de ter, pela primeira vez na vida, um imóvel próprio é muito boa. Agora, nós teremos mais segurança e tranqüilidade”, disse Elaine. Ela conta que, na margem do Atuba, vivia com receio de enchentes e temia pela saúde da filha de três anos, pois no local não havia saneamento.

Atílio Macan de Oliveira trabalha como papeleiro e, há quatro anos, havia comprado um lote na margem do rio por R$ 2 mil. Ele está animado com a transferência. “Vou sair de um lugar perigoso, onde tem muita poluição e mau cheiro. Irei para uma casa e lá será outro padrão de vida”, comemorou.

Mudança

Segundo a presidente da Cohab, Teresa Gomes de Oliveira, as famílias saem de uma situação de risco e serão proprietárias de seus imóveis. “Elas terão mais segurança quanto ao futuro e melhor condição de moradia”, ponderou. No local de onde estão sendo retiradas as habitações improvisadas será criado o Parque Linear, com equipamentos de esporte e recreação para a população. As obras estão em andamento, sob a responsabilidade da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. A criação do parque evitará que haja uma nova ocupação da margem.

No total, a relocação deverá alcançar quatrocentas famílias. Destas, 182 serão transferidas para casas, as demais para lotes. Para abrigar esses moradores, a Cohab criou dois loteamentos no próprio bairro e irá fazer a transferência aos poucos, à medida que avançam as obras do Parque Linear.