Paulo e Maria, pais de Kléberson, sofreram
do começo ao fim. Mas bastou o primeiro gol
para alívio geral.

A vitória, suada, da seleção brasileira contra a Bélgica deixou muitos torcedores com o coração na mão. Em Curitiba, as famílias do paranaense Kleberson e do meio campo Ricardinho ficaram felizes com atuação dos jogadores, e mais ainda com a classificação do Brasil para a próxima fase.

Reunidos com amigos em uma churrascaria, os pais de Kleberson, Paulo Olímpio e Maria dos Santos Pereira acompanharam a partida com muita preocupação. A mãe do jogador era a mais exaltada, e a cada lance perdido, reclamava decepcionada: “Acho que eles estão perdendo espaço de bola”. Ela conta que sempre sofreu nos jogos do Atlético Paranaense, “mas nos jogos da seleção a tensão tem sido maior”. A entrada de Kleberson, para ela, seria essencial para melhorar a partida. E parece que Felipão, técnico da Seleção Brasileira, ouviu as preces de dona Maria, pois foi de Kleberson o passe para Ronaldo fazer o segundo gol da partida.

Os craques Picolli e Liedson, do Coritiba, e Tcheco, do Malutrom, também acompanharam o jogo com a família do paranaense. Para Picolli, os jogadores do Brasil estavam lançando muito alto as bolas, fugindo da característica da equipe. “Eles estão fazendo o jogo da Bélgica, e se isso não mudar, a partida vai ficar complicada”, avaliou o zagueiro do Coxa, que diz já ter sofrido muito com Felipe Scolari quando jogou no Juventude, e enfrentou equipes como o Grêmio e o Palmeiras, comandadas pelo técnico.

Pequena participação

Na escolinha de futebol de Ricardinho, no bairro do Seminário, a família do craque se reuniu para acompanhar a partida. As mulheres da casa, dona Adélia, a avó, e Roseli, a mãe, eram as mais eufóricas. O pai do craque, José Luiz Rodrigues, conta que ficou mais aliviado depois do primeiro gol da seleção, mas ainda não estava tranqüilo quanto ao resultado final da partida. “Se o Brasil não se cuidar, a Bélgica pode empatar”, advertiu. E para a alegria da família, Ricardinho entrou no último minuto da partida. “Ele foi colocado para segurar o jogo”, disse o pai. Depois da vitória confirmada, a mãe do craque estava aliviada, dizendo que valeu a pena esperar os últimos minutos para ver o filho entrar em campo. O palpite da família é que vai dar Alemanha e Brasil na final da Copa, com um placar de 3 a 1 para o Brasil.

 

Hospital Vita instalou um telão

Cintia Végas

Para que médicos, funcionários e enfermeiros pudessem assistir ao jogo do Brasil contra a Bélgica, sem deixar o trabalho de lado ou os pacientes desatendidos, o Hospital Vita, de Curitiba, instalou um telão em uma de suas salas. Às 8h, a equipe da manhã, composta por 260 pessoas, começou a se reunir no lugar.

A coordenadora de marketing do hospital, Cynara de Lima Gonçalves, explica que a iniciativa foi tomada para evitar que funcionários faltassem ou chegassem atrasados ao trabalho devido à partida de futebol. “Trabalhamos com UTI, emergência e pronto-socorro, por isso não podemos dar folga aos funcionários ou permitir que eles cheguem apenas após o término do jogo”, afirma. “Porém entendemos que eles queiram torcer pelo Brasil e resolvemos aliar o trabalho à diversão. Também é uma forma de integrar as equipes.”

Na recepção, como em outros setores do hospital, os funcionários fizeram rodízio. Enquanto alguns assistiam ao primeiro tempo do jogo, outros trabalhavam. No segundo tempo, a equipe se invertia. “Se houver alguma emergência, a equipe que está em atividade liga para a sala onde o jogo está sendo exibido e avisa o profissional responsável, que imediatamente volta ao trabalho. Os pacientes, assim como seus acompanhantes, são sempre prioridade”.

Para que os familiares dos pacientes pudessem acompanhar o desempenho da seleção, aparelhos de TV foram colocados nos corredores e nas salas de espera do hospital. Muitas das pessoas internadas acharam disposição e também não hesitaram em acordar cedo e sintonizar a televisão do quarto. “Os aparelhos estão presentes em todos os quartos e, mesmo os pacientes, se quiserem, podem assistir ao jogo”, diz Cynara.

No almoço, funcionários e pacientes com dieta liberada desfrutaram de um cardápio especial, elaborado por nutricionistas e composto por alimentos nas cores da bandeira do Brasil. “Fizeram parte do cardápio: saladas de alface, pepino e couve, além de macarrão verde-amarelo, sopa de ervilha e arroz com açafrão; de sobremesa, sagu de maracujá e mousse de limão”, conta a nutricionista Lucilene Passoni. “A idéia era montar um cardápio patriótico e ao mesmo tempo nutritivo”.