Dá para fazer diferente frente aos problemas sociais. É isso que moradores do bairro Santa Quitéria buscam colocar em prática para enfrentar uma questão comum a vários bairros de Curitiba: as ocupações irregulares.

Os sete anos de existência da Favela do Portelinha, onde 200 famílias residem, levaram a professora e pedagoga Cynthia Maria Martins Werpachonski a tomar a frente da Associação dos Moradores e do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do bairro. Segundo ela, as estatísticas oficiais de criminalidade no bairro não condizem com a realidade porque muitos moradores não registram as ocorrências.

“É um lugar tranquilo, mas existem vários furtos e ações criminosas que nem chegam ao conhecimento da polícia em função do comportamento omisso que não leva as pessoas a registrarem ocorrência nem fazerem algo para mudar as condições precárias em que vivem os moradores da ocupação”, relata.

Desde julho, quando o Conseg do Santa Quitéria foi criado, a opção de Cynthia e dos cerca de 30 moradores que participam das reuniões e ações do grupo foi reverter a situação na Favela do Portelinha. “Os moradores da ocupação convivem com esgoto a céu aberto, gatos de luz e sem água. Além disso, são vítimas constantes de golpes de pessoas que dizem ser advogados e que por algum dinheiro vão regularizar a situação deles. Isso nunca acontece e esses golpistas somem com o dinheiro”, descreve.

O caminho escolhido pelo Conseg foi buscar o Ministério Público do Paraná (MP-PR), que, por meio da Promotoria da Comunidade, está alinhavando meios de fornecer infraestrutura junto aos órgãos competentes e caminhos legais para a Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab) conseguir regularizar a situação das ruas Irati e Cidadela, onde fica a Portelinha.

“A Guarda Municipal, o 9º Distrito Policial e a promotora do MP-PR estão participando ativamente desse trabalho para dar um tratamento digno a essas pessoas”, informa. A próxima audiência pública com a Promotoria da Comunidade será no Colégio Estadual Paula Gomes, em março de 2013.

Vencendo pelo cansaço

A pichação no bairro Santa Quitéria é outro problema que a Associação dos Moradores enfrenta com tinta. A cada dois meses, alguns integrantes compram tintas e vão para as praças e muros do bairro a fim de cobrir o vandalismo. “O objetivo é vencer pelo cansaço. O princípio é que se fazemos parte da comunidade, precisamos agir pelo bem comum”, explica a presidente da entidade, Cynthia Maria Martins Werpachonski.

O próximo mutirão está marcado para 15 de dezembro, a partir das 9h, nas imediações do Colégio Estadual Paula Gomes. A ação ocorrerá na placa do Jardinete Alice de Souza e seguirá para a Praça Francisco Azevedo de Macedo.

Confira o vídeo com o depoimento de Cynthia Werpachonski.