Cerca de 50 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) bloquearam a entrada da Fazenda São Rafael, na localidade de Rio Pequeno, a 30 quilômetros do centro de Antonina, durante todo o dia de ontem. Conforme a coordenação do movimento em Curitiba não houve invasão. A Polícia Militar (PM) na cidade, porém, informou que foi procurada pelo proprietário da área, Pedro Paulo Pamplona, informando sobre a ocupação e avisando que entraria na Justiça pedindo reintegração de posse.

Segundo o MST, o objetivo do bloqueio é chamar a atenção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para os crimes ambientais que estariam sendo praticados na fazenda. Conforme os sem-terra, dois rios tiveram seu curso desviado e a mata nativa foi derrubada pelos administradores da fazenda. O MST informou que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já foi avisado sobre o que vem acontecendo na propriedade de Pedro Pamplona.

Segundo o tenente Cristiano Stocco Rosa, da PM de Antonina, as famílias já estavam acampadas próximo à área há uma ano. “Fui até o local onde encontramos duas barreiras. Uma com pneus de caminhão e a duzentos metros um caminhão virado trancando a estrada do Rio Pequeno”, contou, lembrando que as barracas do movimento foram armadas a quinhentos metros das barreiras, já dentro da fazenda. Stocco informou que aguardava orientação vinda de Curitiba para tomar qualquer providência em relação à situação.

Araupel

Segundo o advogado da Araupel, Paulo Macarini, a empresa protocolou ontem junto à comarca de Laranjeiras do Sul um pedido de reintegração de posse de uma parte de sua fazenda, conhecida como projeto 13 A, ocupada por 150 famílias do MST no início da semana. Conforme a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), PMs continuavam no local vigiando para que não acontecessem conflitos. Na manhã de ontem, a Sesp cumpriu mandado de reintegração de posse e retirou de forma pacífica 15 pessoas que ocupavam desde novembro a fazenda de Nelson Bernieri, em Honório Serpa, no Sul do Estado.

Stédile confirma depoimento

O coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, confirmou sua presença hoje, às 10 horas, na CPI da Terra para prestar depoimento. A informação foi prestada ontem pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR), presidente da CPI. Ele disse que, além de Stédile, estarão na audiência pública, o presidente da Comissão Pastoral da Terra, dom Tomás Balduino e o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), Manoel José dos Santos.

Ontem, o ministro de Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, negou que o governo tenha cedido às ameaças de Stédile, que sábado afirmara que infernizaria o País em abril com invasões de terra caso as metas de assentamento não sejam cumpridas. “Não concordo (que o governo esteja cedendo a ameaças) porque o País está vendo o governo trabalhando fortemente por um programa prioritário. O governo não se condiciona, mas escuta e respeita. Não vamos deixar de trabalhar por causa de movimentos que fazem parte de uma História que é o 1.º de abril, o 1.º de maio do nosso País na luta pela reforma agrária”, disse o ministro.

Rosseto também afirmou não achar correto comentar as declarações de Stédile. Segundo ele, os movimentos sociais têm responsabilidades e respondem por suas opiniões.