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Estrada de ferro, que hoje
completa 120 anos, é um
dos cartões-postais do Estado.

A estrada de ferro que liga Curitiba a Paranaguá faz 120 anos hoje. Construída em terreno alagadiço, com manguezais em região insalubre, foi, além de um desafio a seus empreendedores, um marco para o desenvolvimento econômico e social do Paraná. Contudo, o presidente da Associação dos Engenheiros da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina, Glacyr Pasqualin, afirma que há a necessidade de se retomar o projeto de construção de um traçado mais moderno e seguro para o transporte de carga.

De acordo com Pasqualin, uma alternativa seria deixar a linha centenária para atividades de turismo e se investir em uma estrada mais moderna. "Se isso acontecesse, o Porto de Paranaguá poderia receber muito mais mercadoria", afirma.

Iniciada em 1880 pelos engenheiros Antônio Pereira Rebouças, Francisco Antônio Monteiro Tourinho e Maurício Schwartz, a ferrovia teve parte de suas obras conduzidas pelo engenheiro italiano especialista na área Antônio Ferrucci, e foi finalizada por João Teixeira Soares. Segundo Rene Schoppa, em sua obra "150 Anos do Trem no Brasil", Ferrucci não queria correr o risco de vencer os abismos dos 900 metros da Serra do Mar. "O trecho, nos seus 38 quilômetros de extensão, apresentava inúmeros obstáculos de difícil solução, exigindo uma obra fantástica que glorificou a engenharia brasileira e o nome de Teixeira Soares, pela sua competência e determinação", escreve. Schoppa afirma que foi necessário construir 13 túneis e dezenas de viadutos, destacando o que considera "arrojadas obras de arte": o Viaduto Carvalho e a Ponte do Rio São João.

Para a construção da ferrovia, vieram trabalhadores franceses, italianos, belgas, suíços, suecos e poloneses, que trouxeram conhecimentos técnicos, ferramentas e suas respectivas culturas. Entre brasileiros e estrangeiros, foi empregada mão-de-obra de nove mil pessoas, sendo que somente quatro mil conseguiram trabalhar, enquanto os outros padeciam em leitos, atacados dos mais diversos males.

De acordo com o representante regional da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), Carlos Dias Corrêa Augusto, os cinco anos de construção trazem um mapa cronológico das colônias que foram se formando na região. Ele diz que o impacto sócio-econômico, com a inauguração da ferrovia em 5 de fevereiro de 1885, foi imenso e desencadeou ciclos econômicos no Paraná. "Primeiro o Ciclo do Mate, depois o da Madeira, por volta de 1910 e, em seguida, o do Café".

Maria Fumaça espera restauração

A Maria Fumaça que fez a primeira viagem na estrada de ferro que liga Curitiba a Paranaguá ainda existe e está sob os cuidados da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF). Segundo o representante regional da entidade, Carlos Dias Corrêa Augusto, há um projeto para sua restauração e uso, que ainda não foi realizado por falta de recursos.

De acordo com ele, a ABPF recebeu da Votorantim a doação de uma máquina a diesel, que está acabando de ser reformada pela América Latina Logística (ALL) e que deverá fazer o percurso de Morretes a Antonina, até maio de 2005. Com os recursos levantados com esses passeios, Carlos Augusto espera viabilizar a restauração da Maria Fumaça. (RD)

Urna do tempo é aberta a cada 50 anos

Em 1985, a Rede Ferroviária Federal S. A. (RFFSA), atualmente em processo de extinção, realizou uma série de comemorações do centenário da estrada de ferro, que incluíam exposições itinerantes do Museu Ferroviário, passeio de trem e concursos de monografia para estudantes.

Nas festividades, a tradição da urna do tempo continuou. "A cada cinqüenta anos, documentos, jornais, cartazes e moedas são depositados numa urna que é lacrada e será aberta somente no cinqüentenário seguinte", informa Abel Marino da Silva, monitor do Museu Ferroviário. Essa tradição vem acontecendo desde a inauguração, sendo que tanto a urna original como a atual encontram-se no museu. Quem quiser ver o material guardado, precisa esperar até 5 de fevereiro de 2035, quando ela será aberta nos 150 anos da ferrovia. (RD)