Para quase toda a população, o final do verão significa o encerramento de um período dedicado às férias e ao lazer e conseqüente retomada dos afazeres cotidianos. Mas para os eletricistas da Copel é o final de um período cheio de sobressaltos e de imprevistos. É que os meses de temperaturas mais elevadas são também os de maior volume de trabalho para as equipes técnicas da empresa encarregadas de prestar atendimento a situações de emergência na rede elétrica.

Segundo levantamentos recentes da Superintendência Regional de Distribuição Leste da Copel, área responsável pela supervisão e manutenção das redes de energia em Curitiba e municípios da Região Metropolitana e litoral, as tempestades características de verão elevaram em 22% o número de ocorrências com desligamento de consumidores na metade mais quente do ano. “Em termos de ocorrências na rede elétrica, esse foi o pior verão dos últimos três anos”, define o gerente de operação da regional da Copel, Péricles José Neri. “De outubro a março, registramos mais de 9 mil atendimentos em caráter de emergência a cada mês, o que dá 300 atendimentos a cada período de 24 horas ou a mobilização de uma equipe de reparos a intervalos de 5 minutos, dia e noite, durante os seis meses”, compara.

Outro detalhe observado pelo gerente Péricles é que, além da quantidade, as ocorrências durante o verão, não raro, costumam ser mais graves em razão da extensão dos danos a serem reparados. “A queda de árvores sobre a rede elétrica provocada pelos ventos fortes que costumam acompanhar as tempestades de verão pode exigir a reconstrução de trechos inteiros de fiação, incluindo a substituição de postes quebrados e de transformadores avariados”, descreve.

Postes no chão

Uma dúzia de casos como esse o pessoal de emergência da Copel teve num único dia em Curitiba. No final da tarde do domingo de Carnaval, uma forte tempestade atingiu a rede elétrica em 18 bairros, deixando sem luz cerca de 65 mil consumidores – ou pouco mais de 10% do total de domicílios atendidos na capital. Em diferentes pontos da cidade, pelo menos dez postes tiveram de ser trocados e mais de 60 vãos de redes elétricas em alta e baixa tensão precisaram ser refeitos, em razão da queda de árvores. “A folia para a gente estava apenas começando”, lembra Péricles. “Em condição normal, mantemos de plantão um efetivo de doze equipes de emergência e uma de manutenção, mas o estrago provocado pelos ventos, raios e até granizo daquele temporal nos obrigou a chamar mais catorze equipes de emergência e oito de manutenção. Foram 30 minutos de temporal que nos renderam mais de 24 horas de trabalho”, resume o gerente.

Nos dias seguintes, outros temporais – de gravidade menor – voltaram a exigir a rápida intervenção dos eletricistas de emergência da Copel. O atendimento às 580 mil unidades consumidoras ligadas às redes elétricas da Copel em Curitiba é sustentado por um conjunto de dezessete subestações, de onde partem 150 circuitos alimentadores urbanos que transportam energia na tensão de 13.800 volts. Para rebaixá-la aos níveis de consumo domiciliar (127/220 volts), existem operando por toda a cidade 22.874 transformadores.

“Pregão da bolsa”

As tempestades típicas do verão trazem consigo duas das maiores ameaças à operação normal das redes elétricas: descargas atmosféricas (raios) e ventos fortes. Por serem estruturas aéreas expostas ao tempo, não há como evitar que fatores climáticos causem interferência nas condições de funcionamento dessas redes.

Por essa razão, a Copel, com ajuda especializada do Simepar, tenta minimizar os efeitos dos temporais, antecipando a mobilização das equipes técnicas mantidas em regime de sobreaviso. De prontidão, as equipes aguardam as ordens do Centro de Operação da Distribuição para se deslocarem às regiões atingidas. “Nossa rotina começa pelo serviço de atendimento telefônico”, explica Péricles. “O consumidor avisa que está sem eletricidade e o próprio atendente já emite para a coordenação do centro uma notificação de ocorrência, que será passada para a primeira equipe de campo que estiver disponível.” Segundo o gerente, em dias de temporal não é raro o Centro de Operação monitorar, supervisionar e comandar simultaneamente a ação de 20 equipes ou mais. “Nessas ocasiões, o setor fica bem parecido com um pregão da bolsa de valores, tal o número de pessoas falando ao rádio ao mesmo tempo, dando ordens e recebendo informações de volta”, comenta.

Heróis anônimos

Mas o sincronismo e o entendimento entre os técnicos da coordenação e os eletricistas que estão na rua têm de ser absoluto, apesar da pressa em fazer retornar a eletricidade aos consumidores. “Trabalhamos com um produto importantíssimo, indispensável para a coletividade, mas que é ao mesmo tempo muito perigoso”, argumenta Péricles. “Por isso, a atenção de quem está lidando com o fio caído e de quem está supervisionando a tarefa no centro deve ser total para que vidas não sejam colocadas em risco.”