A Associação de Bares e Casas Noturnas do Paraná (Abrabar) está preocupada com a atuação de flanelinhas e guardadores de carros em Curitiba, que estariam praticando preços elevados e até mesmo reservando espaços públicos para seus ?clientes?. Segundo o presidente da Abrabar, Fábio Aguayo, a entidade tem registrado um grande aumento na quantidade de reclamações de freqüentadores destes estabelecimentos, que se sentem vítimas de intimidação. 

?Estes guardadores fazem cobrança adiantada de valores altos e ameaçam o dono do carro dizendo coisas como ?não vou poder me responsabilizar?, agindo bruscamente. Trata-se de extorsão. Em alguns casos, especialmente quando envolvem públicos maiores, eles invadem terrenos ou espaços públicos e até distribuem tickets, como se fosse um serviço profissionalizado?, relata Aguayo.

A arquiteta Carla Tacaki diz ter passado pela situação descrita por Aguayo há duas semanas, quando foi a uma casa de shows no bairro do Parolin com alguns amigos. ?Chegamos em cima da hora do show e não tinha mais vaga no estacionamento, então resolvemos deixar o carro na rua. Logo apareceu o guardador e pediu adiantado R$ 10?, conta.

Segundo a arquiteta, o homem agiu de maneira brusca, dando a entender que, caso não pagassem o valor, ?algo? poderia acontecer com o veículo. ?O mais interessante nessa história toda é que, na esquina da casa, havia uma viatura de polícia estacionada. Nos sentimos extorquidos?, conta.

Aguayo diz ainda que este tipo de situação contribuiria negativamente para a imagem dos estabelecimentos, que segundo ele, não são coniventes com a ação dos flanelinhas. ?Nem podem ser! Tem alguns empresários que precisaram ir à Justiça, já que tem guardador que até pede vínculo empregatício?, revela.

Para o presidente da Abrabar, o poder público é omisso sobre a questão. ?Acho que deveria haver um pente fino para coibir a atuação dos guardadores.?

Ele completa que a mobilização da associação não é uma ?limpeza social?, mas seria voltada contra os flanelinhas que cobram adiantado e de maneira intimidadora. ?Muitos se contentam com qualquer valor que a pessoa der e até dão um sentimento de segurança para o cliente?, diz.

A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que, caso algum cidadão se sinta intimidado por algum guardador, deve ligar para o telefone 190 e esperar por uma viatura, nunca entrando em confronto. Já no caso de flagrar pessoas estacionando veículos em locais não regulamentados, como terrenos públicos ou canteiros de ruas, a pessoa deve acionar o Diretran pelo telefone 156.

Profissão é reconhecida por decreto federal

O que pouca gente sabe é que a profissão de guardador de carros é reconhecida pelo Decreto Federal 79.797, de junho de 1977. Em Curitiba, existe até uma associação de classe, que atualmente está inativa. ?A idéia de regulamentação da profissão que defendemos é que os conselhos de segurança dos bairros cadastrem as pessoas que fazem esta ocupação para que elas sigam algumas normas, como não cobrar adiantado e não criar tabelas de preços?, diz o presidente da associação, Alberico Venturi do Nascimento, que também é presidente do Conselho de Segurança do Setor Histórico de Curitiba.

Nascimento defende que muitos flanelinhas têm esta ocupação há muitos anos e que não causam problemas. ?Alguns conquistam a confiança das pessoas dos lugares onde atuam e até ficam com as chaves dos carros para manobrar e mudar de lugar por causa do EstaR?, revela. Ele acredita que outra forma de regulamentar a ocupação seria a Diretran deixar oficialmente a cargo de guardadores cadastrados a responsabilidade de vender os blocos de estacionamento regulamentado.

Conivência

Já para o diretor de proteção especial da Fundação de Ação Social de Curitiba (FAS), Adriano Guzzoni, as pessoas estimulam o aparecimento dos guardadores ao pagarem pelo ?serviço?. ?A Prefeitura oferece maneiras mais dignas e seguras de ganhar a vida, através de cursos de formação profissional, programas de geração de renda e de resgate social. Mas enquanto houver renda na rua, muitos escolhem ficar por lá mesmo?, considera.

O diretor afirma que caso alguma pessoa perceba que o flanelinha está em situação de risco (como estar alcoolizado ou doente), pode acionar o Resgate Social pelo telefone 156.