A Secretaria Municipal do Meio Ambiente plantou em 2010 cerca de 160 mil mudas de flores ornamentais nativas nos 21 parques e canteiros públicos da cidade. A iniciativa parte do programa Biocidade e resultou na formação de belos jardins, com espécies naturalmente encontradas nos ecossistemas brasileiros, principalmente da região de Curitiba.

São flores e arbustos que atraem pássaros, borboletas e outros polinizadores para a área urbana, e ainda enfeitam a cidade com formas e cores diferentes. “É adoção de um novo paisagismo, que ajuda a valorizar a flora local, difundindo conceitos importantes sobre biodiversidade”, destaca o secretário municipal do Meio Ambiente, José Antonio Andreguetto.

As cerca de 70 espécies de flores nativas podem estão espalhadas pelos bosques e parques Barigui, Passeio Público, Lago Azul, Tanguá, Túlio Vargas, Bacacheri, Passaúna, Atuba, Tingui, Italiano, João Paulo II (do Papa), Unilivre, Ervin Grüger, Manoel Ribas, Alemão, Irmã Clementinam além de canteiros na sede Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Fonte dos Anjos, Praça Batel e na avenida Mário Tourinho.

As plantas nativas são parte do programa Biocidade, da Prefeitura de Curitiba, que pesquisa e reproduz exemplares nativos da flora brasileira para introdução na biodiversidade urbana. As plantas nativas também agregam valor turístico aos parques e são modelos vivos das espécies da flora brasileira e local.

O processo de produção de mudas nativas é todo feito por equipes da Secretaria do Meio Ambiente, passando por etapas de pesquisa no Museu Botânico, coleta de matrizes no campo, cultivo das matrizes em estufa especial, e adaptação no Jardim de Nativas, no Jardim Botânico, onde são testados os comportamentos da planta.

Os pesquisadores levam em conta a durabilidade da espécie, beleza, resistência a temperaturas altas e baixas e incidência de pragas. Só depois dessas fases é que a planta segue para o Horto Municipal para ser reproduzida em grande escala.

O plantio de nativas ornamentais na cidade é feito há cerca de três anos. A engenheira florestal Valquíria Pizatto destaca que os resultados são excelentes. “A cada ano nos surpreendemos com a adaptação das plantas e os efeitos paisagísticos que elas proporcionam”, diz Valquíria.

Entre as espécies de maior destaque está a grama-amendoim, verbena rígida, wedelia, lantana amarela, lantana vermelha e erica, entre outras que produzem flores e folhagens intensas.

A vantagem de usar plantas nativas na ornamentação da cidade vai além da questão ambiental. O custo com a manutenção é menor. As nativas são plantas mais perenes, que não exigem trocas constantes. “Algumas duram mais de um ano nos canteiros, e também são menos suscetíveis a pragas”, comenta Valquíria.

O sucesso da ornamentação com plantas nativas não representa o abandono do plantio de flores de época como as tagetes e amor-perfeito, que já fazem parte da identidade da Curitiba. “Como essas não plantas invasoras, podem perfeitamente continuar em cena. As nativas vieram para somar em beleza e valorizar os aspectos ambientais da cidade”, observa a engenheira florestal.