Foto: Chuniti Kawamura
Orsini revela que o dano já está feito. Resta agora minimizar os prejuízos futuros.

A grande quantidade de chuvas e as altas temperaturas provocadas pelo aquecimento global devem prejudicar a agricultura na região Sul do País, nas próximas décadas. Essa é a previsão do pesquisador José Antônio Marengo Orsini, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Símbolo do Paraná, a floresta de araucárias pode ser mais uma vítima dos efeitos da mudança climática. ?Em um clima mais quente, a espécie talvez não se adapte?, avalia Orsini. Nos estudos realizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o cultivo de café e feijão, assim como a plantação de laranja, típicos da região Sul, também sofreriam danos. Com o aumento da temperatura, o ambiente fica mais propício a doenças e pragas que atacam as plantas. ?Focos de doença como dengue e malária, que podem virar epidemia, são outra preocupação?, completa. De forma geral, o Brasil deve apresentar redução de 60% no volume de chuvas, embora na região Sul a previsão seja o contrário, de aumento de temporais.

Embora esses efeitos sejam vistos como inevitáveis, o Sul é considerado mais adaptável às mudanças que outras áreas, como o Nordeste do Brasil e o leste da Amazônia. ?São áreas mais pobres e vulneráveis. Os moradores desses locais poderiam migrar para o Sul em busca de melhores condições, no que constitui o que vem sendo chamado de ?refúgio climático?, aponta o pesquisador. As principais conseqüências para a Amazônia são a perda de parte do ecossistema, os baixos níveis do rio e a maior freqüência de queimadas, que podem ter impacto no Sul.

A perspectiva para o final do século XXI, no cálculo mais positivo do Inpe, é que o aumento de temperatura fique em torno dos 1,9ºC e o nível do mar suba 38 centímetros. Na pior previsão, esses números chegam a 4ºC no aumento de temperatura e acréscimo de 60 centímetros no nível do mar. ?Os extremos já estão acontecendo. Eles só vão se acentuar.? E o pesquisador é realista ao analisar a situação: ?O dano está feito, vamos perder dinheiro. A idéia agora é ter o menor prejuízo possível?.

Medidas

Não desperdiçar recursos, principalmente água, é a palavra de ordem para contribuir com o meio ambiente, assim como reaproveitar sacolas plásticas, ao invés de pegar dezenas delas a cada compra no supermercado, por exemplo. ?Na Europa, se o cliente quiser uma sacola em uma loja, ele precisa pagar pelo produto. Esse recurso tem diminuído o consumo do plástico, pois se ataca o bolso do cidadão e esta parece ser a única forma de êxito?, avalia Orsini. Outra medida é economizar na utilização de aparelhos elétricos nas residências, como o chuveiro, reduzindo o tempo no banho ou trocando por energia a gás.

Mesmo com essas dicas, Orsini alerta que o mais importante está na organização da sociedade. ?Não adianta você fazer sua parte se o seu vizinho continuar poluindo, porque as conseqüências recaem sobre todos?, diz.

Em escala mundial, para combater o aquecimento global é indicada a redução do desmatamento e da emissão de gases que provocam o efeito estufa. Por isso a utilização do etanol é benéfica, pois exterioriza 30% menos gás para a atmosfera.