Foto: Chuniti Kawamura/O Estado

Debate ocorreu em uma das sedes do grupo Dom Bosco.

A violência está presente em todos os lugares e não é somente aquela que se encontra estampada nos jornais. A falta de acesso a serviços públicos e a oportunidades, nada mais são do que um tipo de violência. A agressividade e a ausência de respeito no ambiente de trabalho também são caracterizados como violência. Esta visão foi abordada ontem, no 1.º Fórum de Debates Violência e Democracia – as Interfaces do Panorama Brasileiro, promovido pelo grupo educacional Dom Bosco.

A raiva, a agressividade, o assédio e o preconceito dentro das organizações são formas de violência, no entendimento de Hebert Santos, consultor de desenvolvimento organizacional e membro do Instituto Vivendo Valores. Mesmo sendo demonstrações muitas vezes sutis, elas são ações de violência. Isso é resultado da falta da implantação prática de valores, como o respeito, a confiança, a ética. ?Os valores ficam mais em um quadro na parede no escritório. Existem empresas com visão de futuro, mas que aplicam os valores de maneira burocrática. Isso não atinge toda a empresa porque não faz parte da cultura organizacional?, explica Santos.

Para se alcançar um efetivo sucesso nesta área, nada adianta investir apenas na mudança de estrutura. É preciso mudar os ?espíritos? dentro da organização, ou seja, sensibilizar os funcionários para uma transformação prática. De acordo com Santos, os valores essenciais em uma organização são diálogo, confiança, respeito, ética, liderança, inovação, trabalho em equipe, manutenção do foco, comunicação, motivação e responsabilidade.

Evento realizado em Curitiba teve grande participação.

A ex-jogadora de vôlei Ana Moser também participou de uma mesa-redonda durante o fórum. Dentro do aspecto esportivo, ela mostrou como a violência chega às crianças e adolescentes atendidos pelo Instituto Esporte Educação, projeto que ela comanda em São Paulo e no Rio de Janeiro. ?A violência não é só aquela explícita em jornais. Também é violência a falta de recursos básicos, acesso ao trabalho e à justiça social. Em uma democracia, teoricamente todos têm o direito, a consciência, a maturidade para ter acesso às questões básicas, em uma sociedade em que os deveres e os direitos devem ser respeitados?, explica.

A falta de acesso aos direitos básicos também é uma forma de violência contra muitos dependentes químicos, que acabam utilizando a violência para manter o vício. A psicóloga e coordenadora do Núcleo de Orientação e Atendimento a Dependentes Químicos, Cléia Oliveira Cunha, explica que a maioria das pessoas atendidas na unidade chega com um histórico de fragilidade na adolescência. O núcleo atende dependentes réus primários, que cometeram crimes. A adesão é voluntária. ?O histórico de fragilidade aponta dependentes que vieram de famílias bastante destruídas ou de instituições; e que possuíam acesso restrito aos bens e serviços da sociedade?, comenta.