De acordo com dados da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), em todo o Estado, cerca de 1,7 mil estabelecimentos empregam aproximadamente 10 mil frentistas. Esses trabalhadores assim como seus colegas em todo o País ficam em contato direto com o benzeno, um elemento tóxico presente na gasolina, que pode ser absorvido por via oral, cutânea ou inalação e agir sobre o sistema nervoso central.

O benzeno é uma substância cancerígena (pode causar leucopenia) que é extraída do petróleo, e que posteriormente é utilizada no processo de produção de combustível (gasolina) e de outros produtos (solventes de graxas e resinas, colas). O produto também pode ocasionar irritação gástrica, com vômitos e náuseas.

“Os frentistas ficam expostos ao benzeno contido na gasolina e não dispõem de nenhum equipamento de segurança. O simples ato de segurar o pano que não deixa vazar gasolina no momento do abastecimento já pode levar algum risco de contaminação para o trabalhador. Ainda não existe uma medida de segurança dos postos de gasolina com relação à contaminação pelo benzeno. Vamos entrar em contato com os representantes dos frentistas e com os donos dos postos para se chegar a uma solução”, explica Jaime Ferreira, membro da Comissão Estadual do Benzeno.

Todos os itens de segurança utilizados nas empresas que utilizam o benzeno para a fabricação de seus produtos e os estabelecimentos que comercializam tais produtos estão sendo discutidos no 2.º Encontro Nacional do Grupo dos Trabalhadores do Benzeno e das Comissões Estaduais do Benzeno, realizado em Curitiba. O evento, que ocorre até amanhã, está reunindo os comitês regionais dos governos, trabalhadores e empregadores do Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.

Quando manipulado em concentrações maiores que as permitidas, e sem equipamento de proteção, o benzeno provoca uma enfermidade crônica, conhecida como benzolismo, responsável pela leucopenia, que é a diminuição do nível de glóbulos brancos no sangue.

Medidas

“Todos os presentes no evento estão em alerta com o caso das contaminações. A principal manobra de segurança seria a eliminação do benzeno nesses produtos, mas isso é praticamente impossível. A meta da comissão nacional é diminuir até 2007 a 0,1% a utilização do benzeno na fabricação de produtos prontos (solventes, colas, tintas, entre outros). A gasolina ainda continua com 1%, porque não tem como mudar o processo de fabricação. Nesse caso, o fundamental seria que fossem rapidamente adaptadas algumas medidas de segurança para os trabalhadores dos postos”, diz Danilo Costa, presidente da Comissão Nacional do Benzeno.

Empresas paranaenses

A Petrobras, com a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, e a Unidade de Industrialização do Xisto, em São Mateus do Sul; e o Transpetro – Terminal de Paranaguá são as empresas que já tiveram visitas da comissão estadual e receberam as medidas que devem ser tomadas para garantir a segurança dos trabalhadores com relação à contaminação.

As medidas assumidas pelas empresas prevêem um cronograma de execução com alguns itens de implementação imediata, e outros durante o ano de 2004 e alguns em 2005.

“As modificações são muitas, e de acordo com as empresas, elas serão realizadas de acordo com o cronograma. É necessário que os trabalhadores tenham total segurança durante o tempo que permanecem na empresa”, afirma Jaime.